Na década de 90 e no início dos anos 2000, a grande rede de sapatarias criou um slogan que se tornou seu grande diferencial no mercado que dizia “O seu novo sapato novo”. Venha comprar!” A estratégia foi escrita pelo publicitário Carol Fernandes, que, entre outros, escreveu o discurso do cego da Casa Luz (quando a gente não quer, qualquer desculpa serve) e turbinou o das Casas José Araújo (onde quem manda é o freguês), que embutia uma lógica extraordinária: induzir o cliente a comprar não um, mas dois pares de sapatos.
Com a devida licença poética, a aprovação da nova legislação do Brasil em relação às 40 horas semanais com dois dias de descanso é como obrigar a empresa a oferecer um novo sapato ao seu funcionário, já que o primeiro não caberá no seu pé.
Ou seja: Você precisa calçar um sapato com o número 40 para usar em cinco dias da semana. Mas precisa de outro par – do tamanho do pé – para trabalhar na empresa de forma confortável. O problema é que, até que o sindicato consiga fechar um acordo para usar o par de sapatos que caiba no pé do empregado, ele pode ser obrigado a usar o modelo padrão aprovado pelo Congresso.
Talvez esse seja o grande problema que empregados e trabalhadores enfrentarão daqui a dois meses, quando já haverá a redução de 44 para 42 horas e começar a valer a jornada 5×2. As partes (que terão mais um ano para ajustes definitivos) terão que usar sapato tamanho único em função da aprovação da PEC 221 feita, a toque de caixa, pelo Congresso poucos dias antes das eleições.
O Brasil também passou a ser a única nação do mundo a definir na sua Constituição que a jornada de trabalho para todos os empregados inclui dois dias de folga por semana. Do ponto de vista social, é um avanço extraordinário. Mas o problema é que adotamos isso sem fazer contas do custo.
Não se trata de saber que vai ficar mais caro. Matematicamente, se um empregado recebe seu salário com base numa jornada de 44 horas e vai receber o mesmo valor trabalhando 40 horas, a empresa tem um aumento dos custos no primeiro holerite.
Mas o problema está nas pessoas que não calçam o número padrão. Elas vão precisar esperar uma nova rodada de conversas com os seus sindicatos para ajustar essa redução aos dois dias que poderão ficar em casa.
Esse deve ser um dos grandes desafios da PEC da jornada 5×2. E mesmo com uma série de normas que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já pacificou, as duas mudanças não dão conta.
Primeiro, porque a partir da realidade de cada tipo de produção das empresas foi necessário ajustar os horários. Nasceram as jornadas 12 x 24, 24 x 36, as de 4 dias de trabalho por quatro de folga com intervalos de 12 horas, usadas pelas indústrias de produção contínua apenas para citar algumas. Com a nova regra, muda tudo.
O problema da aprovação para servir de mote da campanha do presidente Lula para um quarto mandato é que ninguém do governo (ao menos publicamente) esteve interessado numa conversa mais ajustada à realidade.
Talvez porque trabalhassem de segunda a sexta no expediente do setor público. Talvez porque não compreendesse o impacto que uma mudança tão grande como a contida nos dois eixos (jornada de trabalho e descanso remunerado) provocaria na economia real. Talvez porque entendesse que essa seria uma das únicas maneiras capazes de fazer o presidente Lula vencer as eleições.
Sem uma análise mais profunda, restou a expectativa de que depois do pleito – em algum momento – o próprio governo abra uma temporada de ajustes de modo a ajustar o contrato de trabalho à realidade do exercício do trabalho, quando o normal seria que a realidade do trabalho moldasse o contrato social e coletivo entre empresa e trabalhadores.
O Brasil sempre surpreende os autores de ficção. E nesse caso voltamos a fazer isso mais uma vez. Primeiro, definimos uma nova lei geral do trabalho (a segunda maior desde que criamos a CLT em 1943) a partir da construção de uma narrativa eleitoral. Depois precisaremos correr para adequar seus preceitos à realidade dos fatos no ambiente de trabalho real das empresas.
Ou como diz o comercial da rede de sapatarias. O seu novo sapato novo está aqui. Venha calçar. Mas leve outro para usar de fato.
Suape profundo
Com 16,25 metros de profundidade no canal interno e 18,39 metros na bacia de evolução e nos PGLs 3A e 3B, Suape passou a contar com melhores condições de profundidade para a operação de embarcações de grande porte.
O Complexo Industrial Portuário de Suape recebeu homologação de novas profundidades pela Marinha do Brasil, criando condições para ampliar o aproveitamento da capacidade de carga de porta-contêineres de até 366 metros de comprimento. As novas profundidades do canal interno, da bacia de evolução e dos Píeres de Granéis Líquidos (PGLs 3A e 3B) já estão em vigor, conforme a Portaria nº 190/2026.
Family Day Porte
A Galeria Janete Costa, que funciona dentro do Parque Dona Lindu, recebe no próximo dia 29, das 14h às 17h30, uma edição muito especial do Family Day Future Leaders, desta vez promovida pela Porte, liderada por André Farias. Participam Ana Maria Diniz, filha de Abílio Diniz; Daniela Lupo da Lupo; Mateus Corradi, presidente da Florense, com mediação de Isabelle Randon, da RandonCorp, terceira geração do Grupo Randon.
Prêmio Fenafim
Quatro Auditores do Tesouro Municipal (ATMs) da Prefeitura do Recife e um técnico venceram o primeiro lugar em duas categorias do Prêmio Fenafim, um concurso promovido anualmente pela Federação Nacional dos Auditores e dos Fiscais de Tributos Municipais. A premiação acontece durante o 37º Congresso Nacional da Fenafim, evento que reunirá, de 10 a 13 de novembro, em Joinville (SC),
Mariana Martins dos Santos Iervolino, Tarcísio Paraíso Farias e Rafael Sena da Conceição (Sefin/Prefeitura do Recife) foram premiados com o trabalho Qualificação cadastral e crédito tributário municipal: OCR e reconhecimento de entidades aplicado a matrículas imobiliárias.
Lucas dos Santos Guimarães e Ana Carolina Costa Ferraz (Sefin/Prefeitura do Recife) venceram na categoria Administração Tributária com o trabalho Da recuperação à prevenção: malha fiscal automatizada do ISS e a indução da conformidade antes do vencimento.
Nordeste devendo
Em setembro, o Nordeste concentrava 19,82 milhões de consumidores negativados, segundo estimativa do SPC Brasil. O número corresponde a 44,77% da população adulta regional e representa o segundo maior contingente absoluto de inadimplentes do país, atrás apenas do Sudeste. O número de dívidas de consumidores em atraso aumentou 10,40% em 12 meses, também a menor variação anual regional.
No comparativo mensal, o indicador avançou 2,44%.No segmento empresarial, o número de empresas inadimplentes no Nordeste cresceu 11,42% em setembro, em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado ficou abaixo da média nacional, de 13,24%.
Business Expo
O Business Connection Expo, evento que acontece no RioMar Eventos, no início de 2027, coordenado pela WSA Comunicação & Marketing, do empresário Waldir Aracaty, terá a presença de Marc Tawil, Top Voice nº 1 do Linkedin e creator da OpenAI. Também uma palestra de abertura e encerramento do congresso com Izabela Anholett, professora do MBA da Exame – Saint Paul e sócia da Nura AI, empresa focada em soluções de IA para líderes e corporações.
Reestruturação
O advogado pernambucano Gustavo Ramiro foi nomeado para integrar a Comissão de Recuperação de Empresas e Falência da OAB-SP. O colegiado aborda questões fundamentais para a reorganização de negócios e os desafios enfrentados por empresas em dificuldades financeiras.
Fonte: JC
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