Depois dos questionamentos e alertas realizados pelos principais nomes da tecnologia mundial, incluindo as empresas desenvolvedoras da inteligência artificial, a IA volta a ser alvo de preocupações. Desta vez, em encontros do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde, apesar de reconhecerem os potenciais de avanço econômico agregados ao impulso da IA, economistas fazem coro a quem chama atenção dos riscos inerentes diante do despreparo ético e da falta de previsibilidade, caso não haja qualquer tipo de regulação. Em especial após casos de modelos que mostraram autonomia para acessar sites restritos sem a permissão dos desenvolvedores, ou de se replicar através da internet, como se a tecnologia aprendesse a ter vontade, monstruosamente, a partir da criação humana.
Para a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, “na ausência de salvaguardas, os riscos podem superar as oportunidades. E, acima de tudo, precisamos de uma base ética. Não tenho certeza de que, como sociedade, já tenhamos chegado a esse ponto”, ponderou, como já havia dito um ícone da tecnologia, Bill Gates, acerca da estonteante velocidade da IA. Georgieva defende que a regulação deve ser feita em conjugação de esforços, a partir das próprias empresas, em autorregulação, com a participação dos países em que as pesquisas ocorrem, sobretudo a China, a Índia e os Estados Unidos, além daqueles que permitem o suprimento tecnológico das pesquisas. Com essa base estruturada, a segurança humana de modo geral, e também da economia global, poderia estar assegurada, ou em limites confiáveis.
Vale dizer que o pronunciamento do FMI sobre a questão vem num momento em que aparentemente há consenso para a necessidade de cuidados, mas na prática, sobram dúvidas que alimentam a insegurança ao redor das fronteiras éticas e técnicas da IA. Enquanto a China diz aceitar uma regulação mais forte, Donald Trump já declarou não querer freios ao desenvolvimento tecnológico nos EUA. Com o estímulo do presidente Trump, a Casa Branca chama a IA de superinteligência, e minimiza os riscos à economia apontando impactos positivos adiante. E dificilmente se pode dar como certa a disposição dos chineses de limitar suas pesquisas, num ambiente de concorrência acirrada com os norte-americanos.
Com grandes investimentos em jogo, a IA também se transforma em risco econômico pela aposta que representa para os governos e as maiores empresas do setor. Aliás, a formação de uma bola financeira global é um dos riscos temidos pelo FMI. Outro mencionado é relacionado à estimativa de perda de postos de trabalho, que pode vir muito rapidamente, sem que tempo de adaptação e reposicionamento dos desempregados. O aumento das desigualdades é um efeito igualmente esperado num mundo em que a IA esteja em diversas áreas de atuação humana, mesmo com as vantagens oriundas do avanço veloz no conhecimento e nos processos de pesquisa e aplicação das descobertas.
O temor que se dissemina para os riscos de uma IA desgovernada, ou seja, liberta do controle humano, esbarra na cobiça de poder que a pesquisa de uma superinteligência desperta. O clamor pela regulação abrange cientistas, filósofos, gestores públicos e economistas – mas dificilmente será adotada enquanto a lógica da corrida pelo poder prevalecer.
Fonte: JC
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