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Homeschooling: aprovada na Câmara, modalidade de ensino levanta debates; entenda como funciona

Aprovado pela Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (18), o projeto de educação domiciliar levanta debates. Conhecido como homeschooling, o método consiste em pais ensinando seus filhos em casa.

O diretor-executivo do Sindicato das Escolas Particulares, Arnaldo Mendonça, é “totalmente contra” a modalidade. “Não acredito na educação domiciliar como algo que vai trazer vantagem alguma para os alunos”, ressalta ele, que também é diretor do Colégio Dom, com unidade no Recife e em Olinda.

“A mensagem que se passa com essa opção é que os pais desejam afastar os filhos de uma convivência social com receio de serem ‘contaminados’ por ideologia. Escola nenhuma é para ‘contaminar’ ou ‘contagiar’ aluno nenhum por ideologia a, b, c, d ou z”, pontua Arnaldo.

Com 45 anos de trabalho com Educação, Arnaldo afirma que um dos principais malefícios causados pela adoção do ensino domiciliar é a falta de convivência da criança com seus pares. “Lamento porque essa não é uma opção da criança, mas da família. A criança vai perder o direito de conviver”, falou Arnaldo Mendonça, sobre as competências socioemocionais.

Um substitutivo aprovado no texto indica que o estudante para usufruir da educação domiciliar deve estar regularmente matriculado em uma instituição de ensino, que ficará responsável por acompanhar a evolução do aprendizado. 

Além disso, ficou estabelecido que pelo menos um dos pais ou responsáveis deverá ter escolaridade de nível superior ou educação profissional tecnológica em curso reconhecido.

O diretor afirma que essas alterações são para “minimizar o problema”. “Estão correndo atrás do prejuízo, estão querendo que o aluno esteja matriculado só para formalizar”, disse. “Não acredito que os pais vão dominar o conteúdo, vão ter que contratar professores”, completa Arnaldo Mendonça, que também critica a fiscalização que seria necessária para acompanhar a evolução dos estudantes.

Ao citar que há escolas de todos os formatos e ideologias possíveis, Arnaldo orienta que os pais escolham uma escola da qual comunguem com o projeto pedagógico

“A gente sabe perfeitamente quais são as escolas tradicionais, as alternativas. Há inúmeras opções, não enxergo sentido de excluir ou proibir um convívio coletivo”, fechou o diretor.

Outro lado


Para a pedagoga e defensora do homeschooling Renata Moraes, que atua na tutoria de pais e filhos até o Ensino Médio, a aprovação foi uma vitória. “A gente está muito emocionado, muitas famílias são perseguidas de forma injusta, principalmente no Sul e Sudeste. Tem isso de ter que ir até um juiz para mostrar que não houve abandono intelectual”, diz.

Renata ainda critica o que ela chama de “visão modelada da sociedade” sobre quem opta por ensino domiciliar. “É a religiosidade, porque não querem que os filhos se misturem, isso rotula muito. Eu não trabalho apenas com pessoas cristãs, é sobre você poder ter liberdade de educar o seu filho porque são poucas as escolas que conseguem seguir o planejamento educacional com êxito”, completou a pedagoga.

Ela também cita que entre os pais atendidos por ela, que mora em Olinda, estão os de crianças não típicas, nômades e quem não têm condições financeiras de colocar numa escola particular. Atualmente, Renata informa que atende cerca de 25 a 30 famílias. 

“Durante a semana, entrego as minhas demandas, as crianças participam das aulas, existe uma interdisciplinaridade. O pai aprende e passa para os filhos”, explica. 

Em relação à convivência social dos alunos, Renata defende que a criança é inserida num conceito mais amplo de socialização. “Nosso conceito de socialização é explorar a sociedade como um todo. Semana passada fomos para [o Horto] Dois Irmãos, estudamos animais invertebrados. As crianças fazem música no conservatório juntas”, completa.

Outros espaços que ela cita como de socialização são igreja, rua e  atividades como visitas a tribos indígenas e ribeirinhos. 

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