Lula rebate críticas e afirma que 'pobres não pagarão conta'

Lula rebate críticas e afirma que ‘pobres não pagarão conta’

Pressionado para anunciar um programa de corte de gastos no seu próximo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu ontem as críticas e voltou a dizer que existe preocupação com a estabilidade fiscal. A declaração foi feita durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na sede do Ministério de Minas e Energia (MME).

“Ninguém neste País pode falar mais de responsabilidade fiscal do que minha equipe econômica. Esses meninos que ganham pouco, que se matam de trabalhar e são xingados, brigando com outros ministros porque nós temos que tirar dois tostões de um para colocar no outro. Ficam o ano inteiro brigando para manter a política fiscal com responsabilidade”, declarou Lula.

O presidente rejeitou as ideias de fazer cortes no Orçamento em áreas que beneficiam as classes mais baixas. “A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pagará a conta, nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, afirmou.

SUPERÁVIT

O presidente também declarou que o superávit nas contas públicas deste ano, de 2,8% do PIB, não foi o que o mercado quer, mas sim o que o governo federal conseguiu fazer. “Nós estamos entregando o Orçamento agora com superávit. Não é o que sistema financeiro quer, porque ele quer tudo, mas é o que a gente pode fazer”, declarou Lula.

O presidente disse também que é preciso analisar como ele recebeu o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes de questionar os resultados econômicos.

“Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Para alguém falar que a gente não tem, as pessoas precisam dizer como é que nós pegamos esse governo”, declarou.

O presidente voltou a dizer que aprendeu a ter responsabilidade fiscal no contato que teve com a mãe, Dona Lindu, que o ensinava que “ninguém pode gastar mais do que tem”.

No discurso, o presidente comparou o endividamento do Brasil com o de outros países, dizendo que eles possuem metade da ‘seriedade’ brasileira. O presidente também disse que os números brasileiros não correspondem à realidade e pediu para que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pudesse fazer uma apresentação futura à imprensa.

“Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que nós temos? Qual é a dívida interna dos Estados Unidos, da França, do Japão ou da Itália? Perto da nossa, é o dobro em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo que aparece”, disse Lula.

No domingo, o presidente Lula fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, em que deverá abordar o tema relacionado a contas públicas e responsabilidade fiscal.

Fonte: JC

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