A economia se move. Até a produção, e de lá para o consumo, existem caminhos a serem percorridos. Num país de dimensões continentais, como nos habituamos a ler e escutar sobre o Brasil, os trajetos são muitos em distâncias que podem chegar a centenas ou milhares de quilômetros. As rotas podem ser feitas pelo ar, mas é rasgando o território por estradas e ferrovias, ou fazendo uso da extensa linha costeira, através dos portos, que os produtos circulam no país. E é aí que está o problema. O maior gargalo que atravanca a economia, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), é o transporte insuficiente ou de má qualidade.
Em Pernambuco temos exemplo claro que ilustra a questão. A demora para aprovação e construção do Arco Metropolitano, cujo objetivo é contornar a Região Metropolitana e conferir competitividade à logística que atravessa o estado, vem de um processo de décadas, que apenas no atual governo começou a sair do papel. A Ferrovia Transnordestina é outro nó, para Pernambuco e o Nordeste, com atraso de mais de uma década e promessa de redenção para a economia regional – mais utilizada em apropriação política nas campanhas eleitorais do que na viabilização de sua realização.
O levantamento da CNI consultou 2.500 executivos e de médias e grandes empresas para saber quais os principais entraves ao desenvolvimento brasileiro. Para 75% das respostas, o maior gargalo é o transporte – ou seja, a falta de caminhos adequados ou as más condições do que há disponível para fazer os produtos chegarem aos consumidores. O resultado consta do Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira foi divulgado na última quinta. Trata-se de um gargalo quase exclusivamente rodoviário: tirando combustíveis e minérios, o restante das cargas que atravessam o território nacional precisa ir, em 85% dos casos, pelas estradas. Se as rodovias não deixam a economia fluir, a economia engancha.
Trata-se de um documento de referência para “rodovias em más condições, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos”, resume o presidente da CNI, Ricardo Alban. A situação é tão complicada que quase a metade das empresas aceitaria migra do caminhão para outro modal em melhores condições. Dois terços desse grupo gostariam de contar com ferrovias para o deslocamento. O aumento do custo logístico na última década é apontado por 91% dos entrevistados, e para 70% esse fator reduziu competitividade. Sem surpresa, o custo maior tem que ser repassado aos consumidores, que pagam também pelas deficiências na infraestrutura.
As ferrovias no Brasil compõem um recorte de fracasso estrutural, por sinal. Na década de 1950, mais de sete décadas atrás, havia 37 mil quilômetros de trilhos no país. Hoje, somente 18 mil quilômetros são utilizados, e 12 mil quilômetros estão abandonados ou totalmente ociosos. A escolha pelas estradas trouxe grandes investimentos, mas a manutenção é precária, faltam recursos para expansão, e em muitos casos, a urbanização no entorno gerou focos de gargalos difíceis de transpor.
Para a economia correr a pleno vapor, investimentos de porte precisam ser feitos, com urgência, na logística brasileira – especialmente no Nordeste.
Fonte: JC
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