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Pernambuco confirma as duas primeiras mortes por leptospirose do ano no Estado e emite nota técnica

Pernambuco confirmou as duas primeiras mortes por leptospirose no Estado registradas neste ano. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), os óbitos ocorreram na Região Metropolitana do Recife. Uma nota técnica foi emitida pela pasta socilitando que casos suspeitos e confirmados sejam notificados de imediato.

As vítimas fatais são do sexo masculino. Um deles tinha 31 anos, morava em Jaboatão dos Guararapes e morreu no último dia 19 de janeiro. O outro tinha 25 anos, residia em Olinda e foi a óbito em 12 de janeiro deste ano. 

Ainda segundo a SES, até o momento, oito mortes foram notificadas no Estado em 2022 por suspeita de leptospirose. Do total, duas foram confirmadas e seis permanecem em investigação.

A pasta informou, ainda, que 155 casos da doença foram notificados este ano, sendo 35 confirmados, 40 descartados e 80 em investigação. 

Ao longo de 2021, segundo levantamento da SES, foram notificados 441 casos suspeitos de leptospirose. Destes, 131 foram confirmados, 184 descartados e 126 estão em investigação. Pernambuco confirmou 34 óbitos pela doença no último ano.

De acordo com o chefe da Triagem de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), o médico infectologista Filipe Prohaska, com as enchentes provocadas pelas fortes chuvas que atingiram o Estado, os casos da doença tornaram-se mais frequentes.

“O grande desafio nessa questão é a exposição à água. A leptospirose é transmitida por uma bactéria que existe na urina do rato e nós sabemos que além de você ter a exposição à água, infelizmente há uma questão de saneamento básico. Então cidades que tem um saneamento básico baixo, e que tem muito esgoto a céu aberto, quando há acúmulo de água, naturalmente você tem o extravasamento dessas áreas e uma exposição maior”, destacou.

É preciso que as pessoas que tenham ficado em meio às enchentes estejam atentos aos sintomas da doença.

“A preocupação é se você esteve exposto a situações com água acumulada, o ideal é que tire a roupa o mais rápido possível, mas sabemos que há essa impossibilidade. Após a exposição, é necessário observar de 7 a 10 dias queixas como dores no corpo, febre, vermelhidão nos olhos que é a conjuntivite, e a dor na panturrilha, que acontece na batata da perna. Quando há a complicação do quadro, que aí são a icterícia que é o amarelão no corpo e a tosse com sangue, há a necessidade de busca imediata para uma unidade de pronto atendimento para fazer um tratamento de forma adequada”, pontuou o infectologista. 

Nota técnica

Diante das atuais mortes confirmadas no Estado, a SES, junto com o Núcleo de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública, emitiu, nesse domingo (12), uma nota técnica direcionada às instituições de saúde de Pernambuco, em que solicita o monitoramento de casos de leptospirose durante situação de desastres naturais – a exemplo das fortes chuvas nas últimas semanas que vitimou 129 pessoas-, além de notificação imediata de casos graves e óbitos pela doença.

O documento informa que a leptospirose é uma doença infecciosa, causada por uma bactéria do gênero Leptospira e que, em Pernambuco, pode se tornar epidêmica em períodos chuvosos, devido a alagamentos e enchentes “associados à aglomeração populacional de baixa renda, condições inadequadas de saneamento e alta infestação de roedores infectados”, disse a nota. Ainda segundo a SES, a infecção humana ocorre por meio da exposição direta ou indireta com a urina de animais infectados.


 

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