Dona de uma voz inconfundível, que atravessa gerações desde a década de 1960, Alcione desembarcou no Recife nesta sexta-feira (6) para participar do Clássicos do Brasil, festival realizado no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, até o domingo (8).
Em uma noite dedicada ao samba, a cantora maranhense reafirmou a força de uma trajetória que há mais de cinco décadas se confunde com a própria história da música brasileira.
Durante a apresentação, a sambista fez declarações de carinho à capital pernambucana e interagiu com o público e os músicos da banda. Alcione falou sobre a relação de longa data com os admiradores do estado.
“O público de Recife sempre me acolheu de braços abertos desde o início da minha carreira, tanto que recebi o título de Cidadã Pernambucana, ou seja, sou de vocês também”, disse.
A conexão com a plateia se revelou na entrega em cada canção. Clássicos como “A Loba”, “Você me vira a cabeça”, “Sufoco”, “Meu Ébano” e “Não deixe o samba morrer” foram acompanhados pelo público, que cantou junto sucessos já incorporados à memória afetiva da música brasileira.
A artista também revisitou sambas-enredo da Estação Primeira de Mangueira, escola com a qual mantém uma das relações mais emblemáticas do carnaval carioca.
Sentada em uma poltrona, Alcione mostrou que a longevidade de sua carreira não se sustenta apenas na potência vocal, mas também no vínculo construído com o público e na identificação profunda e indissociável com a cultura brasileira.
A abertura para diferentes sonoridades, aliás, faz parte dessa relação com a música. Questionada sobre a mistura de ritmos, a cantora defendeu a liberdade de experimentar e reconheceu no próprio samba uma expressão dessa diversidade.
“Sempre fui a favor da mistura de ritmos e sons, é nisso que mora a picardia da nossa música. O próprio samba tem suas vertentes como o samba jazz, samba canção, samba reggae, samba de roda, partido alto, além de ser o principal elemento da maior festa popular do mundo, que é o nosso Carnaval, através do samba enredo. Isso é o Brasil”, destacou.
Sobre a possibilidade de aproximação com outros estilos musicais, como o k-pop, respondeu: “Nunca pensei na possibilidade, mas minha voz abraça a todos”.
Alcione também contou que já aprendeu a cantar em coreano para um comercial publicitário e revelou ter ficado feliz ao conhecer os k-dramas, que fazem sucesso no Maranhão.
Durante o show no Parque Dona Lindu, a artista foi além das fronteiras do samba, como defende, e apresentou “Evidências”, sucesso eternizado nas vozes de Chitãozinho e Xororó. A sambista também prestou homenagem ao cantor Benito di Paula, que faleceu no último dia 18, interpretando “Retalhos de cetim”.
Noite de samba
A programação do Clássicos do Brasil também reuniu Marcelo D2 e Seu Jorge na programação de abertura.
Em uma noite dedicada ao samba, D2, ex-vocalista da banda Planet Hemp, mostrou a versatilidade de uma sonoridade que transita entre o hip-hop e o samba, em uma apresentação enérgica e afinada com o público.
Além de sucessos como “Desabafo / Deixa Eu Dizer” e “Qual É?”, o artista conduziu os músicos por clássicos do gênero, a exemplo de “Nascente da paz”, do grupo Fundo de Quintal.
Já Seu Jorge levou ao palco canções conhecidas pelo público, como “Mina do Condomínio” e “Burguesinha”, em uma apresentação que passeou pela MPB, pelo R&B e pelo soul.
Fonte: JC
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