“É um parecer ou um parto?” Procuradores da Alepe travam parecer para pagamentos de ex-servidores gerando revolta

A demora na emissão de um parecer favorável ao pagamento de verbas atrasadas para ex-servidores exonerados em 2024 tem gerado uma crescente onda de insatisfação na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A questão, que se arrasta há quase 60 dias, expõe não apenas a morosidade no processo, mas também o descontentamento de políticos e servidores em relação à condução do caso pelos procuradores da Casa.

De acordo com denúncias, os responsáveis pela análise jurídica do pagamento estão “engavetando” o parecer necessário para liberar os valores devidos. A situação é agravada pelos altos salários recebidos pelos próprios procuradores, que contrastam com a incerteza vivida pelos ex-servidores que aguardam os pagamentos.

“Salários gigantescos e um parecer que não sai há quase dois meses. Pior que tudo isso é a falta de atenção do presidente da Casa, Álvaro Porto, que nada faz para resolver essa situação”, desabafou um servidor em condição de anonimato.

Revolta nos bastidores políticos

A paralisia na emissão do parecer tem repercutido entre deputados estaduais e lideranças políticas, que veem o impasse como um descaso com aqueles que dedicaram anos de serviço à Alepe. Além disso, há críticas à ausência de medidas por parte do presidente da Casa, que, segundo interlocutores, não estaria priorizando a resolução do problema, mesmo diante das pressões.

“Não é possível que uma situação como essa, que impacta diretamente a vida de tantos trabalhadores, continue sem uma resposta. É um absurdo que a Alepe, uma instituição que deveria zelar pela transparência e eficiência, permita que isso aconteça”, comentou um parlamentar que prefere não ser identificado.

Impacto financeiro e social

Os restos a pagar correspondem a direitos trabalhistas e indenizações devidos aos servidores desligados, que têm enfrentado dificuldades financeiras devido à demora. Para muitos, esses valores representam a sobrevivência enquanto buscam recolocação no mercado de trabalho.

Enquanto isso, a remuneração elevada dos procuradores e parlamentares, que chega a cifras bem acima da média salarial de servidores públicos em Pernambuco, tem sido alvo de críticas. A comparação entre o alto custo da equipe jurídica e a lentidão no cumprimento de suas responsabilidades tem inflamado ainda mais o debate.

Sem previsão de solução

Até o momento, não há informações concretas sobre quando o parecer será emitido. A omissão do presidente da Alepe e a resistência dos procuradores em avançar com o caso estão sendo acompanhadas de perto por lideranças sindicais, que prometem ações mais incisivas caso a situação não seja resolvida em breve.

“Está aguardando parecer para pagamento. Não tem mais o que ser feito. Faltou orçamento no ano passado e agora é aguardar” diz atendimento do Protocolo da Alepe quando questionado sobre demora.

A demora na resolução desse impasse escancara não apenas a crise de gestão dentro da Alepe, mas também o distanciamento entre as necessidades reais dos trabalhadores e as prioridades das lideranças da Casa. O caso, além de um problema jurídico, tornou-se uma questão política que pode impactar a imagem da Assembleia e seus gestores nos próximos meses.

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