A vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos representa uma rejeição às políticas do presidente Donald Trump, segundo avaliação do cientista político Ricardo Rodrigues. Em análise no Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (5), ele apontou que a impopularidade do republicano, a guerra no Irã e o aumento do custo de vida contribuíram para a derrota de seu partido.
Os democratas conquistaram o controle das duas casas do Congresso americano nas eleições realizadas na terça-feira (3). Com a apuração ainda em andamento, o partido e seus aliados somavam 54 cadeiras no Senado, contra 44 dos republicanos. Na Câmara dos Representantes, a vantagem parcial era de 240 a 147.
“A imprensa americana está chamando de Onda Azul, em homenagem à cor do partido. Essa onda se transformou num tsunami”, afirmou Rodrigues, ao destacar que a dimensão da vitória democrata superou as expectativas.
Para o cientista político, o resultado foi impulsionado principalmente pelo desgaste da imagem de Trump, cuja aprovação chegou a 32% em pesquisas realizadas antes da votação. A insatisfação com a guerra no Irã e seus reflexos sobre os preços dos combustíveis também pesou na decisão dos eleitores.
“Isso contribuiu para que essa eleição fosse uma eleição de rejeição, de repúdio à política do Trump. Basicamente o que estava em jogo era o referendo sobre o governo do Trump”, analisou.
Outro fator destacado por Rodrigues foi a fragmentação do movimento MAGA (Make America Great Again), principal base política do presidente americano. Segundo ele, parte dos apoiadores de Trump se afastou do republicano, em um movimento simbolizado pelo rompimento do comentarista conservador Tucker Carlson com o Partido Republicano.
O cientista político avaliou que esse desgaste levou eleitores que apoiaram Trump na eleição presidencial de 2024 a deixar de votar nos republicanos ou a não comparecer às urnas.
Maioria democrata pode limitar governo Trump
Com a oposição no controle das duas casas legislativas, Rodrigues prevê dificuldades para o presidente avançar com sua agenda nos dois anos restantes de mandato. Entre os principais obstáculos estão a aprovação de indicações para cargos do governo e do Judiciário, além das negociações orçamentárias.
“Vai ser muito complicada essa relação do Trump com uma Câmara majoritária democrata, vai ter muito conflito, principalmente em relação a dinheiro”, afirmou.
O cientista político destacou que o Congresso americano possui amplos poderes de fiscalização sobre o Executivo e exerce controle sobre a destinação de recursos federais. Na avaliação dele, os democratas deverão utilizar esses instrumentos para aumentar a pressão política sobre a Casa Branca.
Questionado pelo apresentador Igor Maciel sobre os possíveis reflexos da derrota eleitoral na atuação internacional dos Estados Unidos, Rodrigues considerou que Trump poderá concentrar ainda mais esforços na política externa, diante das limitações impostas pelo Congresso.
Ele lembrou, porém, que a legislação americana também estabelece restrições à atuação militar do presidente, como a War Powers Resolution, que prevê limites para a manutenção de operações militares sem autorização do Legislativo.
Fonte: JC
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