A atriz Carol Castro voltou a falar sobre o diagnóstico de fibromialgia em entrevista à revista Quem, publicada nesta segunda-feira (2). Na conversa, ela relatou a trajetória até descobrir a doença e iniciar o tratamento. Segundo a atriz, receber o diagnóstico trouxe alívio por compreender a origem dos sintomas que enfrentava. “Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não tô doida”, contou à publicação.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 3% da população brasileira convive com a fibromialgia. Entre os diagnosticados, de 70% a 90% são mulheres. Apesar da prevalência, a síndrome ainda é cercada por preconceitos e desinformação, o que pode levar à desvalorização das queixas dos pacientes e dificultar o diagnóstico.
O médico Humberto Arcoverde, especialista em dor, explica que a fibromialgia é uma condição real e complexa, que não deve ser confundida exclusivamente com problemas psicológicos. “O corpo sente de forma amplificada porque o sistema nervoso está sensibilizado. Entender isso é o primeiro passo para tratar com eficácia”, afirma.
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O que acontece no organismo?
A fibromialgia está relacionada à sensibilização central, fenômeno em que o sistema nervoso passa a responder de maneira exagerada aos estímulos. Com isso, o paciente pode sentir dor mesmo sem a presença de inflamações ou lesões aparentes.
A síndrome pode se manifestar de forma isolada ou estar associada a fatores como traumas físicos, infecções virais, estresse intenso e distúrbios do sono.
Embora possa atingir pessoas de diferentes idades, a condição é mais frequente em mulheres entre 30 e 55 anos. A dificuldade de identificar os sintomas também pode prolongar o caminho até o diagnóstico.
Sintomas vão além das dores
A dor generalizada, que pode atingir músculos e articulações, é uma das principais características da fibromialgia. No entanto, a síndrome também pode provocar fadiga persistente, alterações no sono e dificuldades cognitivas, conhecidas como “névoa mental”.
Ansiedade e depressão também podem estar presentes e intensificar a percepção da dor. Outros sintomas associados incluem formigamentos, dores de cabeça, tonturas e alterações intestinais.
O diagnóstico é clínico e considera o histórico do paciente, a presença de dor generalizada por mais de três meses e sintomas associados, como cansaço e sono não reparador.
Como funciona o tratamento?
Apesar de não ter cura definitiva, a fibromialgia pode ser controlada com acompanhamento médico e tratamento individualizado. Segundo Humberto Arcoverde, a abordagem busca reduzir os sintomas, melhorar a qualidade do sono e recuperar a qualidade de vida dos pacientes.
“Com diagnóstico preciso e abordagem científica, conseguimos controlar os sintomas, melhorar o sono e devolver o prazer de viver sem dor constante”, afirma o especialista.
O tratamento não se limita ao uso de medicamentos. Entre as estratégias mencionadas pelo médico estão terapias intervencionistas e técnicas de neuromodulação. Algumas das abordagens utilizadas incluem bloqueios anestésicos para aliviar a dor, laser de alta potência, bloqueio simpático venoso e neuromodulação cerebral não invasiva, que busca regular os circuitos relacionados à percepção da dor.
O reconhecimento dos sintomas e a procura por avaliação médica são importantes para reduzir os impactos da síndrome. “O reconhecimento dos sintomas e a busca por avaliação médica com tratamentos adequados são fundamentais para reduzir o impacto da fibromialgia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, destaca Arcoverde.
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Fonte: JC
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