Após derrota em Jaboatão, casal Tércio retoma imagem de Bolsonaro em estratégia para reconquistar eleitorado da direita

Por Luiz Gonzaga Jr – Hoje Pernambuco

Após um longo período sem qualquer menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro, os políticos evangélicos Clarissa Tércio e Júnior Tércio voltaram a utilizar a imagem do líder da direita como estratégia de reposicionamento eleitoral. A reaproximação com o bolsonarismo vem em um momento decisivo, quando ambos buscam garantir seus mandatos e reconquistar o público conservador de Pernambuco.

Durante a campanha para a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, Clarissa Tércio promoveu uma guinada radical em sua postura pública. A candidata, que antes fazia da sua fé evangélica e do apoio a Bolsonaro pilares de sua atuação política, adotou uma imagem mais “popular”, afastando-se de bandeiras tradicionais da direita. Foi às ruas dançar, usou apelido de arengueira ( tudo a bíblia prega ser contra ) , evitou postar conteúdos com qualquer imagem de Bolsonaro, não apareceu sequer com bandeiras do Brasil e, para surpresa de muitos apoiadores, chegou a afirmar que seria a “prefeita dos gays” – uma frase que, na visão de muitos, contrariava diretamente suas pregações anteriores.

O resultado nas urnas foi um revés expressivo, uma surra daquelas de deixar qualquer político sem eira nem beira. A derrota acachapante na eleição revelou que o eleitorado conservador, e também evangélico, especialmente os bolsonaristas, não se deixaram convencer por uma campanha que, aos olhos de muitos, priorizou a conveniência eleitoral em detrimento da coerência ideológica. Será que o eleitorado sentiu falta da Clarissa que foi para a porta de um hospital protestar contra um aborto legal de uma criança de 10 anos que foi estuprada pelo avô e corria risco de vida ? Aquele protesto que chamava uma criança de assassina fez falta na eleição ?

Agora, passado o período eleitoral e longe do desgaste da disputa municipal, o casal Tércio volta a se tentar se vincular publicamente ao bolsonarismo. Em discursos recentes, têm se referido ao ex-presidente como “meu presidente” com insistência, participam de eventos de direita e disputam espaços de visibilidade, chegando até a brigar para subir em trios elétricos e atos públicos, em um clima de muita confusão e arenga

A movimentação levanta questionamentos nos bastidores da política pernambucana: será que o eleitorado da direita vai esquecer a mudança de tom e embarcar novamente no discurso bolsonarista do casal? Ou será que verá nessa retomada uma jogada oportunista de quem, diante da derrota, tenta voltar ao “personagem” original para garantir votos e mandatos?  Vale tudo ? Se a ocasião precisa, eu faço, Eu danço, Eu nego ?

Caso reeleitos, Clarissa e Júnior Tércio garantiriam juntos mais de R$ 1 milhão de reais por ano em rendimentos públicos, reforçando a percepção de que, para além da ideologia, há também outros interesses envolvidos na estratégia de reconexão com a base conservadora, o mandato ! 

Em tempo – Esse reencontro com o bolsonarismo é convicção ou conveniência?

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