André Lara Resende acende uma luz para os economistas do PT que precisam de uma tese para justificar os gastos do governo Lula

André Lara Resende acende uma luz para os economistas do PT que precisam de uma tese para justificar os gastos do governo Lula

O economista André Lara Resende é conhecido por escrever parte do arcabouço do Plano Real numa parceria com o também economista Pérsio Arida num texto de 1984 que fez a dupla ganhar o nome de Larida, uma junção das sílabas iniciais dos sobrenomes de ambos (“Lari” de Lara Resende e “da” de Arida).

No conceito original, o plano previa a criação de uma segunda moeda (uma unidade indexada) que circularia ao lado do Cruzeiro para combater a inflação inercial. Uma década mais tarde, em 1994, os mesmos conceitos do “Plano Larida” foram resgatados e aperfeiçoados pela equipe econômica do governo Itamar Franco (com a participação de Arida, Lara Resende, Edmar Bacha, Pedro Malan e Gustavo Franco).

No time do Real

O sucesso do Plano Real, como se sabe e está na história, aconteceu apesar do discurso de oposição do PT, e o Brasil mudou com o Plano Real, que elegeu Fernando Henrique Cardoso duas vezes no primeiro turno.

Lara Resende foi cuidar de sua vida, seus livros e seus artigos, sempre mal-humorado com a força que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional ganharam, ficando ainda mais irritada quando começou a tramitar no Congresso a PEC 65, que, além de tornar impossível a demissão do presidente do BC sem motivo, lhe daria autonomia financeira. Resende acredita que o Banco Central é parte do governo e pronto.

Poucas referencias

Isso pode ajudar a entender a proposta de seu artigo publicado no dia 25 de setembro, portanto, um mês antes do segundo turno, e cuja referência, além dele, é antiga, de colegas dos tempos do Real e do economista inglês John Cochrane.

Resende abriu sua caixa de ferramentas acusando o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater; os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica e todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizam o país, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade.

Culpa da imprensa

Ah, ele também acusou a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Então, convenhamos que um dos pais da URV queria mesmo era “causar”.

Isso explica a reação, até agora apenas na imprensa, à sua proposta que criaria um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) que definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos à frente. Metas de inflação seriam anunciadas em conjunto com metas para a taxa básica de juros.

E que o BC se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, 3,0%, e a taxa de crescimento nominal potencial, ou seja, a meta da inflação somada ao crescimento real potencial, o que hoje seria em torno de 5,5% ao ano (3% de inflação mais 2,5% de crescimento).

Um ano critico

Ele prossegue propondo o início do novo regime fiscal e monetário, com o BC anunciando uma redução gradual do juro básico, ao longo de cerca de 12 meses, para a taxa de crescimento nominal potencial mais um spread transitório de segurança de 2%, isto é, perto de 7,5% ao ano.

E, como forma de “suavizar” uma depreciação mais acentuada, devido à possível redução do volume de carry-trade de capitais especulativos, diz que as reservas internacionais de mais de US$ 350 bilhões concluíram que “o BC tem munição de sobra para isso”. Ou seja: Lara Resende acha que o BC com US$ 350 bilhões consegue gerenciar o terremoto da ação de capitais especulativos internacionais.

Abrir o debate

Talvez a maior contribuição do economista seja, com seu texto, com base no que o autor tem como referência no debate de macroeconomia brasileira e reabrir uma porta há muito fechada: a do debate público sobre as contas nacionais.

Isso não inclui as “contribuições” da ex-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que classificou o texto como fundamental, nem do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para quem a situação fiscal brasileira é “menos dramática” do que sustentam os defensores de um ajuste voltado à estabilização da dívida pública, embora reconheça a necessidade de reduzir os déficits.

Sem ancoragem

O lado bom dessa proposta, que pode ser questionada em seus pontos de ancoragem, é que ela pode servir para que o tema das contas nacionais seja reaberto num governo do PT. Ainda que tenha gente achando que o governo serve para gastar o dinheiro do contribuinte com programas sociais.

E porque o texto de Resende trouxe números incontestáveis. Afinal, uma taxa básica que é mais do dobro da taxa de crescimento nominal da economia e que apenas o serviço da dívida equivale a mais de 10% do PIB ao ano torna uma trajetória ascendente e insustentável da relação dívida/PIB.

Juros altos

Porém, uma proposta que começa acusando todos os que, sabendo que juros absurdos inviabilizam o país, preferem o conforto do consenso ao incômodo da verdade tem problemas na partida do debate.

Criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) que manda no BC é contratar uma reação já no Congresso que, nesse caso, sequer poderia interferir e seria viável. Outra coisa grave é tratar como detalhe usar as reservas para conter o tsunami especulativo que começa na definição de uma taxa básica por decreto.

Falta politica

Não é assim que a banda toca. Da última vez que um presidente cortou a taxa de juros por decisão política, embarcamos numa crise econômica que nos levou ao trauma do segundo impeachment.

Mesmo que admita que essa seria uma proposta a ser implantada com prazos médios, nem o governo Lula tem força política para bancar um projeto desses e depois, porque a oposição viria para cima dele com toda a força que terá a partir de 2 de fevereiro de 2027. Embora os economistas do PT (fora do governo) tenham recebido a proposta de Lara Resende com alegria.

Menos, menos

O que explica a pressa do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em afirmar que o governo, de fato, está debatendo um “ajuste gradual” nas contas públicas, mas que não há nada em discussão que “justifique o medo” do mercado financeiro com possíveis medidas. 

O mercado não tem medo de novas medidas radicais de Lula. A hora do espanto já passou. Só quer um sinal de que o governo será minimamente cuidadoso com as contas públicas, o que, com sinais básicos, pode ajudar muito a começar a reduzir o mau humor saído da vitória do PT.

 

Se um pesquisador bater à porta, o IBGE orienta que o morador colabore – Tânia Rêgo / Agência Brasil

90 anos do IBGE na Fundaj

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizará, no próximo dia 11 de novembro de 2026 (quarta-feira), às 13h, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby, sala Aloísio Magalhães, o Seminário Temático Estadual sobre Parcerias, com o tema “Meu Parceiro, Meu Brasil, Nosso IBGE”, como parte das comemorações pelos 90 anos da instituição.

O evento reunirá representantes de órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa e demais instituições parceiras que contribuíram para a trajetória do Instituto ao longo de nove décadas. A imprensa, com seu papel extremamente relevante na divulgação dos dados, está convidada a acompanhar a programação.

O seminário integra uma série de atividades promovidas nacionalmente em homenagem aos 90 anos do IBGE, completados em 29 de maio de 2026. A proposta é destacar a relevância das parcerias construídas pelo Instituto para a produção e disseminação das informações estatísticas, geográficas, cartográficas e ambientais que subsidiam políticas públicas, pesquisas acadêmicas e decisões da sociedade brasileira.

PET NOR NO RECIFE EXPO CENTER. – Divulgação

Feira Petnor

De 8 a 10 de novembro de 2026, das 13h às 21h, o Recife Expo Center recebe a 9ª edição da Feira Petnor, o maior evento de negócios (B2B) voltado ao mercado pet e veterinário do Norte e Nordeste. Organizada pela Agência PE, a feira reúne indústrias, laboratórios, distribuidores e outras empresas do setor em três dias de networking, geração de negócios e atualização profissional.

Em 2026, a Petnor amplia seu escopo temático, com maior foco em saúde única e saúde pública e reforço nos conteúdos voltados a animais de produção, animais de grande porte e zootecnia. A proposta amplia o alcance e a representatividade da programação, conectando o mercado pet à medicina veterinária em suas diferentes frentes.

Ana Uriarte da Quark

A eleição de Ana Uriarte para a vice-presidência da Associação Brasileira de Startups reforça a liderança feminina no ecossistema de tecnologia e inovação de Pernambuco. Cofundadora da edtech Quark, a empreendedora integrará a nova diretoria nacional da entidade no biênio 2027 a 2028.

Sua chegada à ABStartups amplia a presença nordestina nas decisões que envolvem startups, investimentos e políticas para inovação. Nascida no Porto Digital, a Quark já alcançou mais de 50 mil estudantes em mais de 100 municípios brasileiros.

Shopping Guararapes, em Jaboatão – DIVULGAÇÃO

Dívidas municipais

O Shopping Guararapes sedia, até 6 de novembro, a XXI Semana Nacional de Conciliação, com condições especiais para regularização de débitos municipais de Jaboatão dos Guararapes.

A iniciativa, em parceria com o TJPE e a Prefeitura, oferece 100% de desconto sobre juros e multas para pagamentos à vista ou parcelamento em até 48 meses, sem descontos. A negociação contempla débitos de IPTU, ISS, CIM e outros créditos tributários e não tributários, inclusive os judicializados. A ação também pode favorecer a recuperação de receitas municipais e reduzir o estoque de processos de execução fiscal.

iFood na HFN

O iFood Pago, solução financeira do iFood, estará na HFN — Hotel & Food Nordeste 2026, a maior feira de food service e hospitalidade da região, que começa nesta quarta-feira (4) no Centro de Convenções, em Olinda.

O estande do iFood Pago, trará o ecossistema financeiro da plataforma, com destaque para crédito e Maquinona como produtos principais e a conta digital como porta de entrada para o acesso a essas soluções.

Com presença consolidada no Nordeste, a participação do iFood Pago no evento fortalece o relacionamento com os parceiros locais e impulsiona o desenvolvimento regional.

Com Reforma Tributária cidades com o Recife que sediam bets deixaráo de arrecadar ISS substituidas pel CBS. – Divulgação

Contra alíquota

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifesta preocupação com a alíquota de referência de 11,3% calculada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027.

O percentual, superior ao previsto anteriormente, reforça o risco de que a implementação da reforma resulte em aumento da carga tributária para as empresas. Para a entidade, a simplificação do sistema deve ser acompanhada de medidas efetivas para evitar esse aumento.

A preocupação é especialmente relevante para prestadores de serviços sujeitos atualmente à alíquota conjunta de 3,65% de PIS/Cofins no regime cumulativo. A substituição por uma CBS com referência de 11,3% representa uma elevação expressiva da alíquota nominal, embora o impacto efetivo dependa dos créditos e do tratamento tributário de cada atividade. Empresas intensivas em mão de obra ficam mais expostas, pois a folha de pagamento não gera créditos.

 

Fonte: JC

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