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Operação mira suspeitos de peculato e lavagem de dinheiro em gabinete de ex-vereador em Ipojuca

Uma organização criminosa suspeita de peculato e lavagem de dinheiro no gabinete de um ex-vereador de Ipojuca, na Região Metropolitana, é alvo da operação “Compartilhado“, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). No gabinete, segundo a polícia, havia a prática de rachadinhas.

Estão sendo cumpridos 20 mandados de busca e apreensão domiciliar nas cidades de Ipojuca, no Litoral Sul, e em Gravatá, no Agreste. Além disso, as equipes realizaram, nesta manhã, o sequestro de bens e bloqueios de ativos financeiros que, até o momento, já ultrapassam R$ 8 milhões.

“A organização criminosa se instalou no gabinete de um ex-vereador, onde os chefes de gabinetes e assessores especiais faziam o recolhimento de grande parte dos salários dos servidores, que ficavam apenas com 10% dos valores. Os outros 90% eram repassados para a organização, que adquiria carros, casas de praia, terrenos”, afirmou o delegado Diogo Victor, responsável pela investigação.

Ainda de acordo com o delegado, os salários eram de funcionários fantasmas. “Eles não batiam ponto, não iam nas comunidades. Não havia a necessidade de comparecer à Câmara. O alvo em Gravatá é um empresário de Ipojuca que teria financiado a campanha e, como forma de receber o dinheiro, ele recebeu um cargo que não precisava comparecer e nem trabalhar no local”.

Diogo Victor informou ainda que cerca de 14 pessoas integram a organização criminosa e que os bens adquiridos com os desvios de salários eram colocados em nome dos próprios assessores especiais e chefes de gabinete do ex-político. Nenhum nome foi divulgado.

“São quatro pessoas principais que, junto ao ex-vereador, tinham esse papel de liderança e faziam a compra dos bens. Em seguida, foi verificado que, após perder a candidatura à reeleição, essas pessoas começaram a se desfazer dos bens, que começaram a reintegrar o patrimônio do ex-vereador, o que configurou lavagem de dinheiro“.

De acordo com a PCPE, as investigações foram iniciadas em setembro de 2020 e tivessam o assessoramento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil; do Núcleo de Contabilidade Financeira e Lavagem de Dinheiro da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco) e do Tribunal de Contas de Pernambuco.

Entre os materiais apreendidos nos locais alvos da operação, estão documentos, celulares, uma CPU e uma quantia em dinheiro não divulgada, que foram encaminhados para a sede da Dracco, no Recife.

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