A cafeína é uma das substâncias mais estudadas quando o assunto é desempenho esportivo e está presente em produtos consumidos por quem busca mais disposição durante os treinos, como cafés, bebidas energéticas, suplementos pré-treino e cápsulas.
Apesar de poder contribuir para a performance quando utilizada adequadamente, o consumo combinado de diferentes fontes exige atenção.
O alerta é da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs), que chama a atenção para os riscos da ingestão de doses elevadas de cafeína. Entre os possíveis efeitos, estão palpitações, aumento da pressão arterial e alterações do ritmo cardíaco, especialmente em pessoas mais sensíveis à substância ou com predisposição a problemas cardiovasculares.
Segundo o cardiologista Rodrigo Bodanese, coordenador do Laboratório de Fisiologia do Exercício do Centro do Movimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), preceptor da Residência em Cardiologia do Hospital São Lucas da PUCRS e coordenador dos serviços de Ergoespirometria e Reabilitação Cardíaca da Santa Casa, a cafeína é uma das substâncias mais estudadas em relação ao desempenho esportivo.
“A cafeína é um suplemento ergogênico que pode melhorar a performance. Temos doses relativamente seguras para o consumo, geralmente entre 3 e 6 miligramas por quilo de peso corporal. Na maioria das vezes, ela é segura”, explica o médico cardiologista Rodrigo Bodanese.
“O cuidado precisa aumentar à medida que elevamos a dose, porque algumas pessoas, especialmente aquelas com maior sensibilidade, podem apresentar um risco um pouco maior de arritmias”, acrescenta.
Um dos principais cuidados está justamente em considerar todas as fontes consumidas ao longo do dia. Uma pessoa pode utilizar um suplemento pré-treino antes do exercício sem perceber que ele já contém uma quantidade significativa de cafeína e, paralelamente, ingerir energético e diferentes doses de café. Somadas, essas fontes podem elevar consideravelmente o consumo.
“A maioria dos energéticos também contém cafeína. Às vezes, a pessoa toma um pré-treino que já possui uma dose elevada, mistura com energético e ainda consome café. Muitas vezes, nem contabiliza o café preto ingerido ao longo do dia. Com isso, podemos ultrapassar as doses consideradas seguras”, alerta Bodanese.
“Consumir cafeína ou energéticos, em geral, não é o problema. Tudo depende da quantidade. Quando extrapolamos, o risco aumenta”, complementa.
A resposta à cafeína também varia entre os indivíduos. Idade, condições de saúde, sensibilidade à substância, medicamentos utilizados e intensidade do exercício são fatores que precisam ser considerados. A atenção deve ser ainda maior entre pessoas com hipertensão, arritmias ou outras doenças cardiovasculares.
Durante ou após o exercício, sintomas como palpitações intensas, tontura, dor no peito e falta de ar não devem ser ignorados. Além disso, estimulantes não substituem os fatores fundamentais para a evolução esportiva, como treinamento adequado, alimentação equilibrada, hidratação e descanso.
Em casos de suspeita de doença ou algum risco cardiovascular, a orientação é procurar um médico cardiologista para avaliação individualizada.
Fonte: JC
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