No final da tarde desta quinta-feira (30), o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), uma entidade criada pelo setor de apostas esportivas online para defender os interesses do segmento, divulgou uma nota oficial afirmando que vê com preocupação os dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), que não comprovam que a proibição das apostas tenha provocado o aumento das compras de alimentos.
Para o IBJR, estabelecer essa relação é preciso avaliar quanto o consumo teria crescido de qualquer forma, considerando renda, emprego, preços e recursos das famílias. Os próprios levantamentos da entidade mostram que o varejo alimentar já crescia de forma expressiva antes da proibição.
Mais comida
A afirmação de que o consumo de alimentos nos supermercados brasileiros cresceu após a proibição das bets pelo governo Lula foi feita pelo presidente da Abras, João Galassi, durante a feira Supervendas, em Aracaju (SE), segundo a qual levantamento da entidade mostra que as vendas aumentaram 6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% na seguinte, em comparação com os mesmos períodos de 2025. A entidade associa o avanço à redução das apostas on-line.
A reação imediata ao IBJR é apenas mais um capítulo em que o segmento trava na mídia no sentido de desmentir dezenas de estudos de entidades e, mais recentemente, do próprio governo Lula, entre eles o Ministério da Saúde, relacionados aos gastos com afastamento de trabalhadores do serviço para tratamento da ludopatia.
Contestar dados
Os argumentos de instituições como o IBRJ : é necessário esclarecer a base técnica de números que circulam no debate, como os R$ 143 bilhões que as bets teriam retirado do comércio e os R$ 62,5 bilhões da renda das famílias.
A entidade lembra que o Ministério da Fazenda, mediu o mercado regulado em R$ 37 bilhões de acordo com o GGR, o total apostado menos os prêmios pagos, ou seja, o gasto líquido dos apostadores nas empresas autorizadas quando o consumo das famílias foi de cerca de R$ 8,1 trilhões, segundo o IBGE.
Melhores vendas
Pode ser. Até porque, de fato, a própria ABRAS, em agosto, o IBGE na PNAD Contínua registrou alta de 2,69% ante agosto de 2025. Mostrando que na comparação mensal, o consumo avançou 2,21% de julho para agosto, mantendo a trajetória positiva, embora em ritmo mais moderado do que na passagem de junho para julho, quando o indicador havia crescido 3,01%. No acumulado de janeiro a agosto, o consumo registra alta de 2,71%.
O desafio das bets, através de suas entidades, no esforço de tentar alguma solução negociada para o segmento, é que o fim das apostas de quota fixa no Brasil abre uma nova discussão sobre os hábitos financeiros de milhões de brasileiros que utilizavam as bets como parte da rotina.
Destino do dinheiro
E porque sem as apostas legais o dinheiro que deixa de ser destinado às apostas também pode ser utilizado para construir uma reserva de emergência ou alcançar objetivos de curto, médio e longo prazo. Mesmo pequenas quantias, quando aplicadas de forma recorrente, podem contribuir para criar o hábito de poupar.
Para desespero do setor, houve uma enorme perda de expectativas com a derrota de Flávio Bolsonaro, candidato que recebeu apoio do setor numa atitude esperada já que a perspectiva de uma reeleição de Lula inviabilizaria (ao menos temporariamente) qualquer possibilidade de um acordo.
Volta a Curaçao
Reeleito Lula, essa porta não está mais entreaberta, havendo uma tendência de manutenção da proibição ainda que as entidades estimem que haverá uma fuga de apostas para casas instaladas fora do Brasil, especialmente em Curaçao, onde boa parte delas já tinha empresas constituídas que atuavam no Brasil antes da regulamentação através da Lei.
Segundo a entidade, um levantamento da plataforma Aposta Legal mostra que os sites de apostas ilegais arrecadaram mais de R$ 14 bilhões, entre janeiro e dezembro deste ano. E que o valor arrecadado pela clandestinidade supera com folga o faturamento total do e-commerce brasileiro na Black Friday de 2025, que girou em torno de R$ 4 bilhões.
Arrecadação
O problema do segmento é que a proibição no período eleitoral já havia sido decidida pelo governo, ainda que isso custasse, como vai custar, a perda de R$ 6 bilhões em arrecadação pela Receita Federal. E a proibição contribuiu para que especialmente as mulheres votassem em Lula.
Além disso, o governo está fechando 2026 com dados mais robustos sobre o custo para o SUS do efeito das bets no setor de saúde mental, como na Previdência, com o custo de afastamentos temporários que o INSS é obrigado a pagar quando o apostador é empregado com carteira assinada.
Custos do SUS
O embate com a Abras, portanto, é apenas uma das frentes do impacto do fim das apostas online. Em outras frentes, o segmento tenta potencializar o efeito em setores como o futebol, onde os clubes alegam perdas milionárias, e as preocupações com o efeito das antecipações de patrocínio, e agora com o impacto nas festas de final de ano, no Natal e no Réveillon, e em 2027, no Carnaval.
O setor sabe que na hora da captação o mercado publicitário encontra caminhos. As bets chegaram quando o escândalo do Master retirou um patrocinador que se tornou importante para toda a mídia nacional. Mas já percebeu que, mesmo num Congresso hostil a Lula, dificilmente a lei será abrandada. Até porque o governo já sinalizou que pretende ocupar o lugar das bets com as logomarcas da Caixa, do Banco do Brasil, do BNB e do BNDES, além das empresas estatais.
Até agora, o setor perdeu.
Começa hoje a Reforma Tributária no Simples
A partir deste domingo (1º), micro e pequenas empresas prestadoras de serviços optantes pelo Simples Nacional terão de emitir suas notas fiscais pelo Emissor Nacional da NFS-e. A mudança, prevista na Resolução CGSN nº 191/2026, exige atenção dos empreendedores que ainda utilizam sistemas municipais ou softwares de gestão não adaptados ao novo padrão.
Mas não é apenas uma mudança de plataforma, a nova obrigação pode trazer consequências para a operação financeira dos negócios. Falhas na integração dos sistemas, inconsistências cadastrais ou dificuldades na primeira emissão podem comprometer a geração das notas fiscais e atrasar cobranças e recebimentos.
Ai meu Deus!
O Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, revelou o maior recorde no número de consumidores negativados que já havia figurado nas listas de inadimplentes.
Em setembro, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. A maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano.
Super Mix 2026
A Super Mix chega à sua 20ª edição com números expressivos para o mercado de negócios regional. Realizada pela ASPA, com organização e produção da Insight Feiras & Negócios, a feira acontece simultaneamente à HFN – Hotel & Food Nordeste, reunindo mais de 1.500 marcas e projetando público circulante superior a 32 mil visitantes.
A integração dos eventos amplia as oportunidades comerciais entre fabricantes, distribuidores, supermercadistas, fornecedores e empresas de hotelaria e food service, consolidando Pernambuco como ambiente estratégico para novos negócios.
Tambaú na Super Mix
A Tambaú Alimentos participa pela terceira vez da Super Mix 2026, de 4 a 6 de novembro, no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda, com foco no fortalecimento de parcerias comerciais, na prospecção de novos clientes e na ampliação de oportunidades de negócios no varejo alimentar. Para a indústria pernambucana líder de vendas de catchup no Nordeste, a feira representa um momento estratégico para estreitar o relacionamento com distribuidores e varejistas, especialmente pela proximidade das festas de fim de ano, período importante para o consumo.
Subsidio da cana
O Senado aprovou nesta quarta-feira (28) o Projeto de Lei 5.649/2026 – de autoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos PE) que prevê o pagamento de R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar a produtores independentes do Nordeste.
A proposta dá continuidade ao benefício previsto na Medida Provisória 1.374/2026, que reservou até R$ 270 milhões para atender cerca de 16 mil produtores. O projeto permite aproveitar os pedidos já apresentados, sem exigir um novo cadastro. O texto, que foi aprovado pelo Senado, segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Novos Mercados
O comércio entre o Brasil e os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, cresceu 18,1% entre janeiro e setembro de 2026 e alcançou US$ 6,8 bilhões, ante US$ 5,75 bilhões no mesmo período do ano passado. Os números fazem parte de um levantamento da Cronos Logistics, realizado com base em dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Entre os destaques do levantamento está a Noruega, de onde as importações brasileiras cresceram 25,7% entre janeiro e setembro, alcançando US$ 699,3 milhões. As novas condições comerciais poderão favorecer a aquisição de máquinas, componentes e tecnologias utilizados em setores como energia, indústria naval e operações offshore.
Raízes Culturais
Promovido pela Rio Ave, com curadoria artística e cultural da Casa Viva, o projeto Mostra de Arte, Decoração e Artesanato das Raízes Culturais acontece nos dias 7 e 8 de novembro, no Ninita, no Poço da Panela, com entrada gratuita. A mostra reúne trabalhos em madeira, bordado, cerâmica e pintura, parte deles disponível para aquisição. A iniciativa aproxima criadores de potenciais compradores e incentiva a economia criativa local. A segunda edição.
Fonte: JC
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