O avião de luxo usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos Estados Unidos com a família na manhã de ontem pertence à Baires Fly S.A., empresa envolvida em uma investigação sobre propinas e fraudes em compras públicas de medicamentos e materiais médicos no governo do presidente argentino, Javier Milei.
A Baires Fly aparece em uma investigação iniciada em 2025 que se tornou um dos principais escândalos do governo da Argentina. Entre 2023 e outubro de 2025, um grupo teria atuado na Agência Nacional para a Deficiência (Andis, na sigla em espanhol), órgão federal responsável por políticas destinadas a pessoas com deficiência, para fraudar licitações, direcionar contratos e pagar propinas em compras de medicamentos e equipamentos médicos.
Segundo a investigação, uma rede de farmácias e intermediários tinha acesso privilegiado a informações de funcionários da Andis, o que lhe permitia obter contratos direcionados em troca de pagamentos ilícitos. O diretor do órgão no período analisado, Diego Spagnuolo, é apontado como chefe da organização criminosa e suspeito de ter recebido propinas. Ele já foi advogado de Milei e era considerado próximo ao presidente.
Spagnuolo foi demitido em agosto de 2025, após a divulgação de áudios em que mencionava pagamentos ilícitos a Karina Milei, irmã do líder argentino.
Em um dos áudios, Spagnuolo acusa a irmã de Milei e Eduardo “Lule” Menem, então subsecretário de Gestão Institucional da Secretaria-Geral da Presidência, de cobrar até 8% do faturamento de empresas farmacêuticas para que obtivessem contratos com o governo. O esquema renderia cerca de US$ 800 mil (R$ 4,3 milhões) por mês.
Spagnuolo afirma que Karina Milei ficaria com a maior parte do dinheiro, entre 3% e 4%. Ele teria tomado conhecimento do esquema após se encontrar com Eduardo Menem, braço direito da secretária-geral da Presidência e primo de Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados. Na ocasião, teria ouvido que precisaria contratar determinados funcionários.
Em outro momento, Spagnuolo teria sido orientado a fazer negócios com uma empresa específica. “Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem o problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina”, afirma o ex-chefe da Andis em um dos áudios vazados para a imprensa. Ele também teria se encontrado com o presidente Milei para relatar o caso, o que foi negado pelo governo à época.
A investigação também apura se a Baires Fly foi usada por pelo menos cinco redes de farmácias e empresas de saúde para receber dinheiro de propinas e convertê-lo em créditos para serviços de aviação oferecidos pela companhia de táxi aéreo. Desde 2023, essas empresas teriam transferido o equivalente a cerca de R$ 3,5 milhões à Baires. Segundo os investigadores, o objetivo seria dar aparência legal a recursos ilícitos.
A empresa também aparece em conversas do empresário Sergio Mastropietro. A Procuradoria investiga a relação dele com a Baires Fly, formalmente registrada em nome do empresário Luis Grande.
A reportagem tentou contato com a companhia pelos canais informados em seu site oficial, mas não obteve retorno. Até aqui, não houve condenações. Pelo menos outras 18 pessoas são investigadas.
- Tarcísio se distancia de Flávio, reconhece vitória de Lula e diz que é preciso seguir em frente
- Trump mantém afirmação sobre não envolvimento após Flávio se declarar presidente legítimo
- Fugir X foragido: juristas explicam situação de Flávio Bolsonaro e o que pode acontecer agora
LUXO
Flávio Bolsonaro embarcou para os EUA em um jato Gulfstream G400, que fez uma escala no Equador antes de seguir para Miami. Segundo o site da Baires Fly, a aeronave atinge até 935 km/h, tem autonomia de 7.040 quilômetros e capacidade para 13 passageiros. Entre as comodidades estão seis camas, cozinha, cafeteira, serviço de comissário de bordo e refeições gourmet.
Em seu site, a Gulfstream descreve a aeronave como um jato executivo de grande porte, projetado para viagens internacionais com velocidade, autonomia e conforto. Segundo a fabricante, o modelo foi desenvolvido para transportar empresários, executivos e outros passageiros em voos de longa distância.
Há aviões do mesmo modelo à venda por valores entre R$ 48 milhões e R$ 187 milhões, a depender do ano de fabricação, das atualizações e do estado das aeronaves. O custo do fretamento da viagem foi estimado entre R$ 414 mil e R$ 1 milhão, dependendo das taxas e do trecho percorrido.
Segundo a companhia, “o projeto prevê uma cabine espaçosa, com até duas áreas e meia de convivência, dez janelas panorâmicas, cozinha e banheiro”. “O espaço pode ser organizado para reuniões, refeições, descanso e pernoite.”
Fonte: JC
Hoje Pernambuco Notícias a toda hora!

