Vereador do PT é preso por 'gestão' de empresa de ônibus ligada ao PCC

Vereador do PT é preso por ‘gestão’ de empresa de ônibus ligada ao PCC

O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso preventivamente na manhã de ontem por suspeita de envolvimento na gestão financeira da empresa de ônibus Transunião, que é investigada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil por supostamente ser utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo da capital paulista.

Esta é a segunda prisão de Senival no âmbito da Operação Última Parada. Ele foi detido anteriormente em 25 de junho e solto em 5 de agosto. Após passar 40 dias na carceragem do 8.º DP, no Brás, o vereador usou a tribuna da Câmara Municipal de São Paulo para rebater a investigação, afirmando que foi “pintado como o demônio.”

Ontem, a defesa do vereador manifestou “sua discordância quanto à decisão judicial que decretou sua prisão preventiva em 20 de outubro de 2026, por entender que a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente.”

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustentam que a investigação aponta Senival como uma das figuras centrais do núcleo de comando da Transunião Embora não ocupasse formalmente um cargo de direção na empresa, o vereador seria responsável pela gestão financeira e por decisões sobre sua operação.

A nova ordem de prisão foi expedida pelo juiz Antonio Carlos Martins, da 1.ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. Na decisão, com base na representação dos promotores, o magistrado destaca indícios de que Senival mantinha o “domínio econômico sobre parcela relevante da frota da Transunião”, controlava valores e utilizava terceiros e familiares como titulares formais de bens

Para o juiz, esses elementos demonstram risco concreto em manter o vereador em liberdade. A posição de comando atribuída a Senival, exercida “à margem da administração formal da empresa”, e o uso de familiares e terceiros para manter ativos em seu nome lhe dariam condições de continuar atuando sobre a estrutura empresarial.

A investigação aponta que, entre 1.º de janeiro de 2019 e 17 de maio de 2022, Senival movimentou R$ 8,6 milhões em créditos e débitos em suas contas bancárias, em 3.134 lançamentos, dos quais R$ 2,3 milhões corresponderiam a movimentações sem origem declarada.

EX-LÍDER

Licenciado do mandato, Senival já liderou a bancada do PT na Câmara de São Paulo e tem uma trajetória de quase três décadas ligada ao setor de transportes. Do inquérito sobre o suposto uso da Transunião como plataforma de lavagem de dinheiro do crime organizado, surgiram novas provas a respeito de sua atuação no setor.

Segundo os investigadores, planilhas apreendidas no inquérito sobre o assassinato, em 2020, do então presidente da empresa, Adauto Soares Jorge, levaram à abertura de uma nova investigação e permitiram identificar possíveis proprietários de veículos da Transunião. Um dos ônibus estava registrado em nome de um suposto laranja, mas aparecia vinculado ao CPF da mulher de Senival, Maria de Lourdes Andrade de Moura. Outro veículo estaria associado ao CPF de Ítalo Andrade de Moura, um dos filhos do vereador.

A Polícia Civil e os promotores afirmam que Senival figura entre os principais beneficiários do suposto esquema. Os investigadores identificaram intensa circulação de recursos financeiros entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao entorno familiar e empresarial do parlamentar. Atualmente, a Transunião está sob intervenção da Prefeitura de São Paulo, com a SPTrans assumindo a administração.

PRESOS

Além de Senival Moura, foram presos Lourival de França Monário, Osiel Bernardino Pinto, Jair Ramos de Freitas, Fábio Fernandes de Souza e Devanil Sousa Nascimento. Leonel Moreira Martins não foi localizado. As defesas foram procuradas, mas não se manifestaram.

Segundo a investigação, Lourival Monário assumiu a presidência da Transunião após o assassinato de Adauto Jorge, mas já exercia funções de direção na empresa antes de ocupar o cargo. Osiel Pinto participou da constituição da Transunião e ocupou os cargos de diretor-presidente e presidente do conselho de administração.

Fábio Fernandes também integrou o conselho de administração e manteve vínculos societários e financeiros com integrantes do núcleo central do suposto esquema. A investigação aponta sua ligação com a organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas liderada por Willian Barile Agati, o “concierge do PCC”.

Leonel Martins, o “Cabeça Branca”, é apontado como intermediário entre o PCC e a Transunião. Segundo os investigadores, ele orientava a redistribuição de receitas da companhia e pagamentos a terceiros. Seu nome também aparece em uma carta manuscrita, com características dos chamados “salves” do PCC, apreendida na residência de Jair de Freitas. No documento, Adauto teria afirmado que cumpria ordens de “Véio” e “Cabeça Branca”, identificados pelo Gaeco como Senival e Leonel, respectivamente

Devanil é apontado como homem de confiança de Senival e integrante do núcleo operacional. Ele responde a uma ação relacionada ao homicídio de Adauto Jorge. Segundo a investigação, Devanil dirigiu o veículo que levou a vítima ao local da execução, permaneceu no automóvel durante o crime, não prestou socorro e deixou o local com a chegada da polícia.

Fonte: JC

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