Agente socioeducativa que passou adolescência na Febem usa experiência de vida no trabalho dentro da Funase

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Expedita, agente da Funase. Foto: Divulgação

O trabalho realizado nos núcleos preventivos da antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) impactou vidas que até hoje se relacionam com a área da infância e juventude. É o caso de Expedita Celestina da Silva, de 58 anos, que, na década de 70, durante a adolescência, foi usuária dos serviços dos Centros Sociais Urbanos (CSU), onde a Febem tinha equipes para atividades escolares, esportivas, profissionalizantes e de lazer. Hoje, ela é agente socioeducativa na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) e contribui com o trabalho de reinserção de adolescentes e jovens no convívio social após a prática de atos infracionais.

Diferentemente da Funase, que atua apenas junto ao público em conflito com a lei, a Febem atendia pessoas com um leque maior de vulnerabilidades sociais, sem ligação, necessariamente, com atos infracionais. Elas eram desligadas do atendimento institucional com, no máximo, 18 anos de idade. Nascida em Machados, mas criada com mais três irmãs na Linha do Tiro, no Recife, Expedita se deparou, desde cedo, com a violência doméstica. Ela também foi impedida de estudar por algum tempo e acabou só sendo alfabetizada aos 14 anos, quando passou a ir ao CSU de Dois Unidos, na Zona Norte, às escondidas, levada por uma vizinha.

“A gente passava o dia com alimentação reforçada, mas não dormia lá no núcleo da Febem. Fazíamos passeios também. Eu passei a fazer muitos cursos, de doces e salgados, corte e costura, confecção de porta pano de prato. Tudo o que era oferecido era voltado à geração de renda. Isso que estou fazendo hoje, como instrutora de oficinas na Funase, era do que eu participava como adolescente naquela época, na Febem”, conta Expedita, durante o intervalo de uma das aulas de artesanato que ministra para socioeducandos da Casa de Semiliberdade (Casem) Harmonia, unidade da Funase situada no bairro da Iputinga, na capital.

Expedita como adolescente em núcleo da Febem. Foto: Arquivo pessoal

Depois de ser desligada do núcleo da Febem, Expedita passou a militar na área social. Como psicopedagoga e educadora social, atuou com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas no meio aberto a serviço das prefeituras do Recife e de Camaragibe. Também já deu sua contribuição ao Programa Atitude, do Governo de Pernambuco. Em 2018, foi aprovada em uma seleção simplificada da Funase e ingressou como funcionária da mesma instituição que a atendeu quando era adolescente em vulnerabilidade social. Ela diz que, hoje, tenta usar sua experiência para oferecer um atendimento humanizado aos socioeducandos.

“Fiquei em sala de aula como professora por um tempo, mas minha paixão sempre foi atuar com pessoas em vulnerabilidade. Fiz curso de grafologia. Pelos desenhos que uma criança faz, sei dizer se ela está sendo violentada ou não. Só não posso dar o diagnóstico. Acho que tudo isso me preparou para estar onde estou. Consegui superar minha situação familiar, liberando perdão, e acho que estou aqui na Funase para ajudar esses adolescentes a deixarem de lado o pensamento de que eles não têm mais jeito. Como agente socioeducativa, sou um cartão de visitas para esses meninos, e tento ser isso com o que aprendi na vida”, afirma.

20/10/2021 às 19:17 – Com informações da assessoria