Pernambuco vive, hoje, um momento econômico ímpar. Após anos de desafios fiscais e gargalos na infraestrutura, o Estado começa a pavimentar de forma robusta o caminho para um ciclo de crescimento consistente e de longo prazo. A transição que assistimos se baseia em uma combinação virtuosa de estudos rigorosos, atração de investimentos estruturantes e políticas públicas assertivas. O resultado desse alinhamento já é visível nos indicadores recentes e aponta para um futuro promissor, desde que mantenhamos o foco no planejamento.
Os dados da atividade econômica atestam que Pernambuco desgarrou da média nacional de forma contundente. O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), calculado pelo Banco Central, mostrou que o Estado liderou o crescimento no Brasil, registrando uma alta expressiva de 5,32% entre janeiro e julho de 2026. Esse avanço representa uma velocidade de expansão mais de três vezes superior à média observada no resto do país.
Para além do IBCR, o Produto Interno Bruto (PIB) pernambucano surpreende positivamente. Apenas no primeiro semestre de 2026, o nosso PIB cravou uma expansão de 4,8% — mais do que o dobro do crescimento registrado pelo Nordeste (2,3%) —, fazendo com que Pernambuco respondesse por 40% de todo o avanço econômico gerado na região. Esse dinamismo é puxado pela forte retomada industrial e de serviços, provando que a economia local voltou a girar.
Contudo, para que esse voo se transforme em desenvolvimento perene, é preciso infraestrutura, onde os investimentos logísticos assumem protagonismo. O Complexo Industrial Portuário de Suape e o Porto do Recife estão recebendo aportes estratégicos, fundamentais para destravar a nossa exportação e importação. Obras de dragagem, melhorias de acesso rodoviário e a integração ferroviária transformarão esses portos em autênticos hubs globais.
O peso desses portos se torna ainda mais vital diante da janela de oportunidades histórica que se abre com o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Esse tratado tem o potencial de criar um mercado integrado de 700 milhões de consumidores. Suape pode até quintuplicar sua movimentação de cargas para o continente europeu em poucos anos. Pernambuco passará a ser uma porta de entrada preferencial, atraindo capital internacional, gerando empregos e posicionando nossas indústrias e o nosso agronegócio de forma competitiva.
Mas nenhuma nação prospera apenas confiando em ciclos momentâneos. É necessário definir prioridades. Exatamente com essa preocupação, coordenei o estudo “Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035”. Esse documento não é um plano de governo, mas um projeto de Estado. Ele estabelece frentes estratégicas — desde a modernização logística, as orientações sobre a competitividade em meio a uma Reforma Tributária, até a formação do nosso capital humano — para transformar o potencial bruto pernambucano em riqueza distribuída.
As diretrizes para 2035 mostram que o Estado precisa investir em educação conectada à cadeia produtiva, infraestrutura digital, interiorização rumo ao Agreste e Sertão, e segurança jurídica. Pernambuco tem as cartas para liderar o Nordeste e reafirmar sua posição como o Leão do Norte. O dever de casa está sendo feito, mas a consolidação desse futuro exige que a sociedade assuma o compromisso com a eficiência. O motor já pegou no tranco, mesmo com tantas dificuldades e gargalos; agora é acelerar.
Fonte: JC
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