Após o debate na Band onde a formatação permitiu que quase todo o programa fosse gasto com troca de farpas e acusações entre os candidatos, os presidenciáveis Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encerraram a campanha do segundo turno, esta sexta-feira, com um debate na TV Globo onde se ouviu mais proposições para enfrentar as dificuldades e os desafios econômicos, políticos e de segurança do povo brasileiro do que a manifestação do acirramento ideológico que dividiu o país em dois lados aparentemente irreconciliáveis.
Diante do público que acompanhou até o final o programa exibido pela TV Globo foi possível identificar um presidente Lula mais preocupado em prestar contas do que fez ou deixou de fazer e um Flávio Bolsonaro com mais tranquilidade para revidar os ataques, reconhecer os erros e assumir postura de alguém que busca a confiança do eleitor para conduzir os destinos do Brasil pelos próximos quatro anos.
Os dois candidatos mostraram pontos fortes e fracos durante o tempo do debate que começou com atraso de 20 minutos mas teve seu cronograma cumprido até o final, inclusive com a garantia de direitos de resposta. Ao contrário do que aconteceu na Band a plateia pouco se manifestou e em duas ocasiões em que ensaiou se pronunciar foi imediatamente contida pelo mediador Cesar Tralli.
O programa foi longo e permitiu que os candidatos discorressem sobre todas as promessas que estão fazendo ao povo brasileiro, além do tempo destinado às considerações finais nas quais pediram voto aos eleitores e mostraram confiança na vitória. Os pontos altos do candidato Flávio Bolsonaro foram alcançados nas áreas de economia e segurança nas quais ele explorou o endividamento das famílias brasileiras, as altas taxas de juros e a insegurança de quem anda na rua ou é vitima de assaltos roubos ou assassinatos, afirmando que o povo brasileiro escolheu a mudança por ele representada para que o crime organizado seja enfrentado e o salário, que acaba no dia 20, possa render até o final do mês.
O presidente Lula explorou bem a falta de cuidado do ex-presidente Jair Bolsonaro com a saúde dos brasileiros durante a pandemia, ressaltou os investimentos que fez para manter o SUS, culpou a elite brasileira pela falta de distribuição de renda e conseguiu embaraçar Flávio ao cobrar o voto dado por ele como deputado contra a ampliação da licença maternidade e sua luta em defesa do policial envolvido na morte da menina Ana Clara falecida durante operação policial no Rio de Janeiro ( a mãe da garota estava na plateia a convite do presidente).
Nos dois momentos Flávio pediu desculpas por suas atitudes na época mas deixou claro à mãe de Ana Clara que atuou no caso como advogado do réu mas que até hoje a Justiça não provou se foi um disparo feito pelo policial que atingiu a menina ou se foi a troca de tiros entre policiais e bandidos que a vitimou.
Tido no debate da Band como excessivamente descolado para quem deseja ser presidente – compareceu sem gravata e com o colarinho desabotoado – Flávio Bolsonaro foi para o debate da Globo de Gravata e se, no início, mostrou nervosismo, conseguiu se controlar bem até o final, inclusive nos momentos mais difíceis de enfrentamento das críticas deferidas pelo presidente Lula. Já o presidente demonstrou impaciência em algumas ocasiões e se confundiu no tempo a ele destinado sendo necessário, diversas vezes, que Tralli o informasse que usasse o tempo que ainda tinha para Flávio poder se pronunciar.
A questão do Banco Master e de Daniel Vorcaro foi a mais espinhosa tratada pelos presidenciáveis. O debate foi caloroso e ninguém saiu vencedor neste quesito. Lula acusou o adversário de ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro e deu oportunidade para que Flávio acusasse ministros do seu Governo por amizades estreitas com o banqueiro acusando-os de terem sido beneficiados e de ter completado as acusações a Lulinha, filho do presidente Lula, que é investigado no Escândalo do INSS que, segundo Flávio, tirou dinheiro dos aposentados.
Um debate em cima da data de um segundo turno é considerado uma vantagem para os candidatos se eles não cometerem nenhum escorregão capaz de representar perdas nas intenções de voto. E, a não ser que a interpretação do mesmo na Internet venha a dizer o contrário, o que viu e ouviu não deve ter abalado a intenção do eleitor que já se definiu ou continua indeciso.
Fonte: JC
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