Confirmada a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representantes do setor empresarial reforçaram a cobrança por novas reformas, equilíbrio fiscal e medidas para aumento da competitividade do País. Entidades de varejo, indústria, serviços, telecomunicações e bancos também defenderam união nacional, estabilidade institucional e avanços regulatórios em suas áreas de atuação.
Entre as demandas, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) defendeu a preservação da desoneração da cesta básica prevista na reforma tributária, para ampliar o acesso à alimentação e reduzir o custo de vida. A entidade também defendeu o debate sobre o fim da reeleição para cargos do Executivo. “A Abras coloca-se à disposição para contribuir com uma agenda que estimule a competitividade, a geração de empregos e a eficiência no abastecimento, garantindo à população produtos de qualidade a preços acessíveis”, afirmou o presidente da entidade, João Galassi.
Já o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) ressaltou a importância de manter um diálogo “aberto, técnico e permanente” com o governo, sem apresentar demandas específicas. A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) deu ênfase à superação das divisões políticas. “O Brasil é maior do que qualquer disputa. Desejamos que este novo mandato seja marcado pela capacidade de governar para todos”, declarou o diretor-geral da entidade, Paulo Petroni.
José Roberto Tadros, presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), manifestou o desejo de que o novo mandato presidencial seja marcado pelo diálogo com o setor privado. “O setor produtivo precisa desempenhar um papel importante no diálogo sobre os caminhos do Brasil”, disse ele. Tadros acrescentou que o País enfrenta desafios que exigem equilíbrio, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e uma visão estratégica de longo prazo.
COMBUSTÍVEL
No setor de combustíveis, o presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Augusto Salomon, defendeu intensificar o combate ao crime organizado, diante de investigações que apontaram o uso de postos para lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. “Esperamos que o próximo governo intensifique o combate a essas atividades, com maior integração entre os órgãos de fiscalização e segurança pública, para proteger os consumidores e assegurar condições justas de concorrência”, afirmou, em nota
Para 2027, Salomon citou como prioridades a implementação da Lei do Combustível do Futuro, os desdobramentos do RenovaBio, as regras tributárias para a Zona Franca de Manaus no contexto da reforma tributária e a discussão sobre a chamada “bomba branca” (permite que um posto que exibe a marca de uma distribuidora comercialize combustíveis de outra origem em uma bomba separada)
O presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, afirmou que a agenda da indústria siderúrgica independe do governo e destacou a relação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), especialmente na defesa comercial. No campo macroeconômico, ele apontou o equilíbrio fiscal, a redução dos juros e a recuperação da competitividade como prioridades.
QUESTÃO FISCAL
“Para a retomada do crescimento econômico de forma sustentada, a condição básica é a questão fiscal. O segundo grande ponto é a recuperação da competitividade sistêmica, na qual a grande questão é a redução do custo Brasil”, afirmou. Segundo ele, o Congresso com o qual Lula terá de negociar tende a ser mais desafiador do que no terceiro mandato do petista, embora possa haver convergência conforme as pautas.
A Conexis, associação que representa Algar, Claro, Sercomtel, Vivo e TIM, reiterou a disposição de manter o diálogo com o governo. Entre as pautas do setor, o presidente da entidade, Marcos Ferrari, destacou a soberania digital. “A soberania é um dos pontos importantes do conjunto de propostas que enviamos aos candidatos. E, nessa linha, temos convergência com as propostas do presidente reeleito”, afirmou.
No setor financeiro, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) colocou sua “capacidade técnica à disposição” do presidente reeleito. Já a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa instituições de médio porte, também manifestou disposição para dialogar com o novo governo sobre pautas de interesse do País.
Fonte: JC
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