À parte das controvérsias sobre geração de emprego e impactos socioecológicos, Pernambuco avança na consolidação de sua transformação digital e de novas demandas do ecossistema tecnológico, impulsionado pela expansão de infraestruturas de data centers de classe mundial no Estado. É importante reconhecer que, nesse novo cenário, o Estado já conta com empreendimentos de destaque que garantem certificações internacionais de qualidade máxima: os selos Tier III e Tier III Facility, concedidos pelo Uptime Institute.
As certificações Tier III — divididas entre Tier III Design (projeto) e Tier III Facility (instalação e operação) — representam o rigor máximo em padrões internacionais de disponibilidade e tolerância a falhas. Na prática, um data center classificado como Tier III opera com sistemas totalmente redundantes (energia, climatização e infraestrutura de suporte). Isso significa que a instalação pode passar por manutenções preventivas ou corretivas sem que haja qualquer interrupção nos serviços hospedados, garantindo uma disponibilidade operacional contínua de 99,982% ao ano e máxima segurança para dados de missão crítica.
Marcos tecnológicos em solo pernambucano
Esse patamar de excelência é encabeçado pela Surfix Cloud & Data Center, localizada no bairro de Boa Viagem, que sagrou-se como o primeiro data center com certificação Tier III Facility de Pernambuco. A conquista atesta que toda a sua operação — englobando energia, climatização, governança e segurança — atende aos critérios mais rígidos do mercado global.
Em paralelo, o Estado avança com investimentos estruturais, a exemplo da chegada da Atlantic Data Centers (nova empresa da Um Telecom baseada no Parqtel) com o projeto do data center Recife 1, cujo primeiro contrato foi firmado com a EVEO no último mês de setembro.
O investimento fora do Sudeste
Nesse ecossistema qualificado, a EVEO — reconhecida como a maior empresa de servidores dedicados e nuvem privada (private cloud) do Brasil — reforçou seu investimento fora do eixo Sudeste, fincando bandeira no Nordeste e escolhendo a capital pernambucana para expandir suas operações, para além da base em Fortaleza. O volume de novos negócios na região supera o registrado no mesmo período de 2025, e a base de clientes local cresceu 62% no último ano.
Movida por uma expansão expressiva na região — com um avanço acumulado de 272% desde 2024 na sua base —, a EVEO identificou que as distâncias continentais do Nordeste tornavam inviável atender a todo o mercado apenas a partir de sua unidade em Fortaleza (CE).
Com a nova operação no Recife, a empresa passa a cobrir os dois principais polos nordestinos, reduzindo drasticamente a latência e viabilizando projetos de altíssima complexidade voltados para Inteligência Artificial (IA) com clusters de GPU dedicada. Com esse movimento focado no Nordeste, a EVEO avança na meta global de R$ 500 milhões em receita até 2030, atestando que a descentralização da tecnologia de ponta para fora do Sudeste segue sendo viável.
Fonte: JC
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