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PERNINHA EM NOVA VERSÃO

Quiséramos que o nosso problema fosse somente a pandemia

Por Danizete Siqueira de Lima

Curiosamente estivemos bisbilhotando uma entrevista exclusiva para o Jornal “O Globo”, no último final de semana, com o nosso ministro da Economia, Paulo Guedes, o qual mostrou-se pouco otimista com os destinos do país chegando a confessar que “tinha uma fé um pouco ingênua de que tudo seria mais rápido e de que as transformações seriam muito mais profundas na recuperação econômica”.

O ministro afirmou que tem sido mais difícil do que imaginava tirar o seu plano liberal do papel e reconhece a perda de apoio do presidente Jair Bolsonaro à agenda que ele conduz, mas não pensa em sair do governo, porque tem “senso de responsabilidade”. Desgastado pelo impasse do orçamento de 2021, o ministro confessou que há políticas para desmembrar a sua pasta, refundando o Ministério do Planejamento, mas alega que o presidente nunca falou nisso “sério” com ele.

Há sim. Algumas pressões para desmembrar. Mas o presidente não conversa sobre isso comigo. Ele só brinca. Fala: “Olha, você sabe que, volta e meia, tem pressão política aí para fazer isso”. Eu falo: “Eu sei, presidente”. Mas a nossa capacidade de implementar uma política consistente, como estamos fazendo, depende de estarmos juntos. Se tiver comando duplo. triplo na economia, rapidamente iremos para a desorganização, finaliza.

Conforme observamos, não podemos nem classificar a matéria acima como uma entrevista, pela falta de clareza e pela pouca segurança nas palavras do ministro. Não vemos nenhum fato novo que possa nos dar algum alento para a situação em que o País se encontra. O super ministro, como ficou conhecido Paulo Guedes, conversou de mais no início do governo e demonstra claras dificuldades na implementação de seu plano, notadamente, pelo surgimento de muitos problemas administrativos, além da falta de articulação com os seus pares.

Vivemos momentos “bicudos” pela proliferação desenfreada da Pandemia, quando já passamos de 400 mil mortos no País, 30% das quais registradas nos meses de março e abril últimos. É um número alarmante e as vacinas que chegam são insuficientes para o atendimento à nossa população que tanto tem se angustiado à medida que o número de mortos avança, deixando todos perplexos, inseguros e em situação de desespero.

Some-se à pandemia, essa forma atabalhoada do nosso presidente na condução do País, bombardeado diariamente por denúncias e mais denúncias envolvendo o Ministério da Saúde na má condução dos trabalhos de combate ao Covid-19, bem como nas áreas de segurança, educação, meio ambiente, enfim, uma guerra interminável envolvendo os três poderes para desvio do foco principal: salvar vidas. Até parece que elas não tem a menor importância.

Nos países que tiveram um bom desempenho frente ao coronavírus, houve uma ação conjunta para combater o mal; por aqui, a ação conjunta é para combater o presidente Jair Bolsonaro. E o vírus está achando ótimo esse comportamento idiota de uma boa parte dos brasileiros. De olho em 2022, todo dia, aliás em todas as horas do nosso fuso horário, estão puxando o tapete do presidente como forma de enfraquecê-lo (mais do que já está), conforme apontam algumas pesquisas de insatisfação veiculadas nos meios de comunicação.

Para piorar ainda mais a situação, no último sábado (1º de maio), dia do trabalhador, nada havia que pudéssemos comemorar. A não ser pela turma do quanto pior melhor, ao saber que chegamos a 14.400 milhões de desempregados no último dia 30 de abril. É triste, é doloroso mas, infelizmente, é real.

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