UM TOQUE DE SAUDADE

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem de hoje segue para Maysa Figueira Monjardim. Maysa foi uma cantora, compositora, instrumentista e atriz brasileira, nasceu no dia 6 de junho de 1936, no Rio de Janeiro. Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa, fez grande sucesso nas décadas de 1950 e 1960.

Maysa foi mãe de Jayme Monjardim, diretor de novelas. Filha da italiana  Inah Figueira Monjardim e do fiscal de rendas, Alcebíades Monjardim, descendente de tradicional família do Espírito Santo. Foi neta do Barão de Monjardim e bisneta do comendador José Francisco de Andrade Monjardim, que presidiram a província do Espírito Santo.

Com 3 anos mudou-se com a família para a cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Com 7 anos foi levada para estudar no Sacre-Coeur de Marie, onde permaneceu interna durante quatro anos. Em 1950 foi morar em São Paulo. Desde pequena, Maysa desejava ser cantora. Compôs algumas músicas, entre elas , “Adeus”, quando tinha 12 anos. Na adolescência , se apresentava cantando e tocando violão para amigos e parentes. Era uma jovem bonita e rebelde para o seu tempo. Gostava de fumar, de beber, de usar cabelo curto e vestir calça comprida, hábitos moralmente masculinos para a época, o que desagradava a sua família.

Em 1954, com apenas 18 anos, Maysa casou-se com André Matarazzo, um rico empresário, amigo de seu pai, 17 anos mais velho que ela, um dos herdeiros da família Matarazzo. No dia 19 de maio de 1956, nasceu seu filho Jayme Monjardim Matarazzo (que se tornaria um conhecido diretor de telenovelas). Nesse mesmo ano foi descoberta por um produtor musical que lançou o disco “Convite para ouvir Maysa”, com a exigência do marido para a cantora não sair na capa – no lugar aparece orquídeas, e que a renda fosse revertida para o Hospital do Câncer. Tudo isso porque naquela época as cantoras de rádio não eram bem vistas pela sociedade.

O primeiro disco fez um grande sucesso e no ano seguinte, em 1957, foi lançado o segundo, “Maysa” que se destacou com as músicas “Ouça” e “Se todos fossem iguais a você”. Nesse mesmo ano, Maysa separou-se do marido, que era contra sua carreira, o que abalou profundamente a vida da cantora.

Em seguida lançou “Convite para ouvir Maysa” em 1958, que fez sucesso com a música “Meu Mundo Caiu”. Maysa foi aclamada pelo público e pela crítica. O fim do casamento levou-a  à depressão. Maysa mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a se relacionar com a “turma da bossa nova”. Namorou o produtor musical Ronaldo Bôscoli. A partir dessa época, começou a ter problemas com a bebida e a se envolver em casos amorosos explorados pela mídia. Conheceu seu segundo marido, o advogado espanhol Miguel Azanza, quando fazia uma temporada na Europa. Depois de se casar, fixou residência na Espanha.

Em 1974  sua depressão agravou-se , pois seus filho, Jayme Monjardim, havia acabado  de voltar da Espanha e não queria vê ou falar com ela. Acusava-a de tê-lo abandonado no colégio interno quando tinha apenas oito anos de idade, que nunca quis saber dele, e que nem foi buscá-lo no aeroporto ao chegar ao Rio, e por raiva, o j0vem  evitava ver e falar com a mãe. Isto fez Maysa lutar contra sua depressão, e criar forças para procurar o filho no Rio, na casa de seus pais, avós do rapaz, mesmo que ele se recusando a recebê-la. Após três anos sofrendo para se reaproximar do filho, pedindo perdão pelo que fez com ele, e por estar arrependida de tudo, eles, enfim, se reconciliaram por intermédio dos avós e da noiva.

No fim da tarde do dia do casamento do seu filho, em 22 de janeiro de 1977, Maysa pegou seu carro e voltou para Maricá, onde morava havia alguns anos, quando um terrível acidente automobilístico na ponte Rio-Niterói deu fim à sua vida. Em exames necroscópicos foi constatado que a cantora estava sóbria no momento do acidente.

Em uma de suas últimas anotações no diário que a acompanhava desde adolescente, registrou: “hoje é novembro de 1976, sou viúva, tenho 40 anos de idade e sou uma mulher só. O que dirá o futuro?”

E para relembrar uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, daria como sugestão, e espero que aceitem, a música : Ouça…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

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