um-toque-de-saudade

UM TOQUE DE SAUDADE

Por Naldinho Rodrigues*

Meu caro leitor(a), a música raiz, o forró tipicamente nordestino, ficou menos rico de cultura, criatividade e alegria. É que perdemos um dos maiores destaques e representantes no início deste ano. Refiro-me a Genival Lacerda, que nasceu em 15 de abril de 1931, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

Genival Lacerda iniciou a sua carreira no Nordeste, mais precisamente na década de 50. Conhecido por cantar forró, xaxado e baião, ele se mostrou um cantor e compositor habilidoso e, como instrumentista, seu ponto forte foi à sanfona. Embora o primeiro disco de Genival Lacerda (78 rotações) tenha sido gravado em 1955, alcançando um sucesso razoável com a canção “Coco de 56”, foi somente em 1975 que ele de fato explodiu no cenário nacional e passou a influenciar o forró no Brasil.

Genival virou referência de humor e musicalidade com a faixa “Severina Xique-Xique”, quem não se lembra do clássico e empolgante refrão “ele tá de olho é na butique dela, ele tá de olho é na butique dela?”… Provavelmente você até leu esse trecho cantando, acertei? A composição foi feita em parceria  com João Gonçalves e rendeu a Genival Lacerda mais de 800 mil cópias vendidas.

Os maiores hits de Genival Lacerda são, sem dúvida nenhuma “De quem é esse jegue?”, “Severina Xique-Xique” e “Radinho de Pilha”, no entanto, é fácil encontrar muitas outras músicas famosas no meio dos mais de 70 discos que o cantor gravou. Dentre os álbuns lançados por ele estão “Canta Luiz Gonzaga”, “60 anos de forró com muita alegria”, “Se não fosse o forró”, “Aqui só tem forró”, “Cabeça Chata”, “Meu Nordeste”, dentre outros CDs e LPs. Para um cantor, até que a filmografia de Genival Lacerda é grande.

Em 1979, já estourado no país, ele viveu um cantor de forró no filme “Vamos cantar disco baby”. Em 1985 foi à vez de estrelar na obra cinematográfica “Made in Brasil”,  vivendo novamente um cantor. Cinco anos mais tarde, deu vida a um outro personagem musical no filme “Beijo 2348/72”. Por fim, em 2009, viveu ele mesmo em um documentário sobre a sua carreira.

Genival foi tão bom no que fez, que mesmo após mais de seis décadas de trajetória, continuou tocando e cantando pelo Brasil afora. A agenda dele foi intensa, sempre solicitado, especialmente durante o período de festas juninas. Recentemente, Genival Lacerda fez uma participação no filme “Folia Brasil”, que ainda não tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros.

Genival Lacerda, com sua alegria de viver e com sua musicalidade, sempre inspirou o forrozeiro diversos talentos, entre eles, o cantor baiano Adelmário Coelho, um dos sucessos do momento da música nordestina.

Genival Lacerda foi internado em novembro de 2020 para se tratar de uma pneumonia decorrente da Covid-19, da qual faleceu em 7 de janeiro de 2021. A nossa música nordestina, principalmente o tradicional forró admirado pelo povo brasileiro está de luto e certamente fica mais pobre com a partida do mungangueiro, como era chamado carinhosamente pelo público, em especial, o sertanejo. Que Deus o receba lá no céu de braços abertos e o convide para fazer parte de uma seleta equipe de forrozeiros, encabeçada pelo Rei do Baião Luiz Gonzaga e com a participação de outras feras inesquecíveis da nossa música nordestina, como: Dominguinhos, Sivuca, Zé Calixto, Mário Zan e tantos outros (acho que só com esses citados na matéria daria para se fazer um forró de qualidade, não?). Vamos relembrar o famoso Genival Lacerda, curtindo o seu maior sucesso, aquele que o consagrou para o mundo da música: Severina Xique-Xique.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Compartilhe
%d blogueiros gostam disto: