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Setor de serviços pernambucano recua em maio

Segundo o IBGE, através da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o volume de serviços pernambucanos mostrou variação negativa no indicador mês, mês atual em relação ao mês anterior, caindo 0,51% em maio. O valor é abaixo do resultado nacional que mostrou queda de 0,95%, bem inferior ao desempenho do mês anterior (-20,56 %), o que implica em uma melhora na economia já em maio suficiente para reduzir os impactos negativos no desempenho dos serviços.

A queda em menor intensidade não surpreende, visto que setores importantes e que demandam as atividades dos serviços, como varejo e indústria, apresentaram desempenhos positivos e com valores bem acima do esperado para o período. O primeiro apresentou crescimento do volume de vendas próximo a dois dígitos, puxado pelo bom desempenho do setor de hiper e supermercados, que já se mostravam bem durante o início da pandemia, além do crescimento das vendas dos eletrodomésticos, que foram incentivados pela comemoração do Dia das Mães e pela injeção de valores do auxílio emergencial no Estado, que em número superou os R$ 2,2 bilhões de reais em praticamente dois meses.

O setor industrial também mostrou alta importante, contribuindo para aquecer a demanda dos serviços mais especializados. O resultado reflete também o cenário de melhora na confiança das famílias e dos empresários em relação ao consumo e aos investimentos. O primeiro devido à renda do auxílio emergencial, alcançando os mais pobres e os que sobreviviam do mercado informal, e o segundo devido aos desdobramentos da injeção do mesmo auxílio contribuindo para uma melhora nas vendas e as políticas de crédito mais eficientes e que visam os micros e pequenos negócios.

É importante lembrar que maio foi o segundo mês de paralisação do setor produtivo e com o agravante da aplicação do lockdown em algumas cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR), desta forma, se esperava uma queda tão intensa quanto a que foi verificada no mês de abril. Além disso, outros indicadores continuam apresentando desempenho negativo, como o endividamento das famílias e a piora no mercado de trabalho.

A velocidade de recuperação dos setores e das famílias impressiona, visto que já conseguem puxar o desempenho dos serviços para níveis esperados apenas no segundo trimestre. O mercado esperava que o segundo trimestre do ano traria números negativos e com capacidade de minar qualquer tipo de projeção positiva para o restante do ano. Porém, a maioria das atividades apresentou movimento bem diferente do esperado já em maio, o que pode acelerar a recuperação da confiança do setor produtivo, criando um cenário menos crítico do que o esperado para a economia este ano.

Vale destacar que os ajustes realizados pelo Governo Federal nas políticas adotadas para o setor produtivo, como as de liberação de crédito subsidiado, começaram a gerar respostas mais rápidas. O crédito disponibilizado começa a se mostrar capaz de iniciar a reversão do cenário negativo criado pelo período de pandemia da Covid-19, visto que grande parte dos empresários que solicitou o recurso começa a ter um nível de adesão superior ao verificado em abril.

Além disso, outras medidas de igual objetivo, também começam a tornar o horizonte empresarial menos negativo, como as ações em relação a menor burocracia e o retorno do debate de reformas ligadas à tributação. Outra importante medida que continua com alto nível de adesão e vem reduzindo o peso das despesas são as voltadas à questão do emprego, com o governo assumindo parte dos custos salariais das pessoas que tiveram suspensão do contrato e redução de carga horária.

Já o indicador mensal, mês atual em relação ao mesmo mês do ano anterior, continua com uma sequência de recuos consecutivos e significativos, com queda de 29,3% em maio, mostrando aceleração dos prejuízos ante os -27,1% de abril, refletindo uma piora diante do quadro já crítico em que passa o setor nos últimos anos, onde o desempenho oscila entre período de recuperação e deterioração. Sendo assim, a melhora verificada entre os meses de abril e maio não foram suficientes para que o desempenho do setor melhorasse quando comparado com 2019.

Em relação aos tipos de serviços, o destaque negativo mais uma vez se encontra no desempenho dos “Serviços prestados às famílias”, duramente afetado pelo quadro de consumo lento e em nível extremamente baixo quando comparado com 2019, quadro deteriorado devido ao endividamento elevado, desemprego em crescimento e confiança ligada ao consumo melhor que o mês de abril, mas em patamar bem inferior ao verificado no mesmo período do ano anterior.

A variação para este tipo de serviço foi de -71,0% em maio, valor que pode ser ainda maior no mês seguinte devido à piora nestas variáveis citadas inicialmente e a não comemoração de festividades importantes no Estado como os festejos juninos. O segundo maior recuo ficou com os “Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios”, devido à continuação da paralisação dos setores produtivos, como o comércio e a indústria, além da redução da demanda dos serviços devido à adesão do lockdown em alguns municípios da RMR.

A queda menos intensa foi verificada nos “Serviços de informação e comunicação”, visto que este tipo de serviço apresentou uma resistência maior em relação a cortes, pois atualmente grande parte das empresas precisa criar um canal de comunicação com seus parceiros, criando assim uma necessidade maior e evitando cortes mais intensos.

Por fim, o setor de turismo em Pernambuco continua sendo fortemente castigado, mas também apresentou melhora em maio. As atividades turísticas subiram 7,9% no indicador mês, já no comparativo mensal o setor continua com variação negativa alta, atingido os -70,9. O turismo continua sendo uma das atividades que mais sofrem com o cenário de pandemia, o que se cria uma paralisação em praticamente toda a cadeia produtiva. Atualmente, o volume das atividades turística acumulam queda de -13,2% em 12 meses e -31,9% no ano.

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