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Promotoria do Paraná faz buscas em escritório de líder de Bolsonaro na Câmara

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público do Paraná e a Polícia Civil cumpriram na manhã desta quarta-feira (16), um mandado de busca e apreensão no escritório do deputado Ricardo Barros (PP) em Maringá, a 430 km da capital Curitiba. Ricardo é líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e foi ministro da Saúde do governo Temer, além de prefeito de Maringá.

Segundo o MP-PR, a medida faz parte de uma investigação sobre supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro para facilitar negócio no ramo de energia eólica. Ao todo são cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Curitiba, Maringá, Paiçandu e São Paulo.

As ordens judiciais, expedidas pela 12ª Vara Criminal da capital paranaense, estão sendo cumpridas num escritório de contabilidade e em outros três endereços comerciais (onde funcionam quatro empresas), além de quatro residências.

A investigação teve início a partir da remessa de peças por parte do Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2019, decorrentes de colaboração premiada feita no âmbito da Operação Lava Jato, informou a Promotoria do Paraná. Segundo os investigadores, a apuração refere-se a fatos ocorridos entre o final de 2011 e o ano de 2014.

O histórico de Ricardo Barros

Ricardo Barros é formado em engenharia civil e tem a política como herança familiar. Ele é filho do ex-prefeito de Maringá e deputado Silvio Magalhães Barros (1927-1979). O líder do governo é casado com Cida Borghetti (PP), governadora do Paraná entre abril e dezembro de 2018. Eleita vice na chapa do ex-governador Beto Richa (PSDB), ela assumiu o comando do estado quando o titular renunciou para se candidatar ao Senado e foi derrotado.

No ano passado, Barros foi denunciado pela Procuradoria da República no Distrito Federal em ação por improbidade administrativa relacionada ao período em que foi ministro de Temer. O Ministério Público aponta irregularidades na compra de medicamentos destinados ao tratamento de doenças raras pela pasta.

Segundo a denúncia, o então ministro fez pressão para que houvesse pagamento antecipado no valor de R$ 19 milhões pela entrega de lotes do produto a uma empresa. O valor foi repassado em novembro de 2017, mas a entrega não foi feita. O caso ainda não foi julgado e, segundo o parlamentar, uma ação semelhante já foi rejeitada pela Justiça. Em nota divulgada na época da denúncia, Barros negou qualquer irregularidade na contratação.

Na esfera eleitoral, o TRE do Paraná, em outubro de 2019, decidiu cassar mandato do deputado federal por compra de votos na eleição de 2018, em um jantar de campanha. Em janeiro, a decisão foi anulada, mas o deputado ainda não se livrou da ação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral. Ainda falta passar pela análise do Tribunal Superior Eleitoral.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO

O deputado Ricardo Barros está tranquilo e em total colaboração com as investigações. O parlamentar reafirma a sua conduta ilibada e informa que solicitou acesso aos autos do processo para poder prestar mais esclarecimentos à sociedade e iniciar sua defesa. Ricardo Barros, relator da Lei de Abuso de Autoridade, repudia o ativismo político do judiciário.

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