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PIB de Pernambuco cai 9,4% e atinge pior resultado desde 2002

EBC

Entre os meses de abril, maio e junho de 2020, a economia pernambucana viveu o seu pior momento nos últimos 18 anos. No segundo trimestre deste ano, conforme os dados divulgados pela Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco – Condepe/Fidem, o Produto Interno Bruto do Estado caiu 9,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O resultado veio dentro das expectativas, mas é a pior variação desde o início da série histórica trimestral – em 2002, denotando os efeitos nocivos da pandemia sobre todos os setores da atividade econômica. Em valores correntes, o PIB saiu de R$ 51,6 bilhões para R$ 38,9 bilhões entre os dois primeiros trimestres deste ano. No Brasil, a queda do PIB foi de 9,7% no período. 

Com o resultado negativo do 2º trimestre, o Estado já acumula uma queda de -4,5% em 2020. No comparativo com o mesmo trimestre de 2019, o baque é ainda maior (-9,6%). “Essa foi a maior queda dentro da série histórica desde 2002, quando a gente tem esse número detalhado trimestralmente. A gente teve algo perto disso no fim de 2009 e 2010. Mesmo assim, o resultado veio dentro das expectativas. Estávamos esperando essa queda”, confirma a consultora do Condepe/Fidem Cláudia Pereira. 

Destrinchando o resultado pelos grupos de atividades econômicas, apenas a agropecuária apresentou resultado positivo (4,5%). Como tem menor peso setorial na composição do PIB (3,9%), o desempenho foi ofuscado por quedas de 14,7% na indústria e -8,9% no setor de serviços. 

O desempenho do agro foi puxado pela atividade pecuária (2,4%) e as lavouras temporárias (13,9%), destacando-se produções de cana-de-açúcar, milho, ovos e aves. No semestre, a agropecuária apresenta variação de crescimento na casa dos 2,6%.

“A agropecuária foi o setor que de certa forma, embora tenha sido atingido, os resultados se mostram positivos porque pela própria característica de produção, com as condições determinadas pela própria natureza, difere dos demais. Isso a gente pode constatar tanto nos dados para Brasil quanto para Pernambuco, que se apresentaram positivos no trimestre e ao longo do 1º semestre”, avalia o gerente de estudo socioeconômico da agência, Rodolfo Guimarães. 

Tornando-se exceção, a agropecuária chegou a resultados bem distintos dos demais setores. Com maiores pesos na composição do PIB, a indústria e o serviços, em meio ao período de maior restrição da produção e da demanda, passando inclusive por um lockdown, pressionaram negativamente o PIB do Estado. 

No caso da indústria, a queda foi de 14,7% no trimestre para o segmento em geral. Levando-se em conta apenas a indústria de transformação, a derrocada foi de -18,8%. A construção civil, mesmo com retomada das obras ainda no início de junho, ficou no resultado negativo de -10,8%. A indústria de veículos automotores, que vinha puxando os índices de crescimento no Estado, amargou uma queda de 62,5%. Só não maior que a indústria de outros equipamentos de transporte (polo naval) que já vinha em queda livre por conta do fim dos contratos nos estaleiros e agora chegou a – 87,8% no segundo trimestre. 

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