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Partidos elegeram mais vereadores nas cidades em que lançaram candidatos a prefeito

Votação em escola municipal no bairro do Catete, na Zona Sul do Rio: abstenção na capital fluminense ficou acima de 30% Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

Em um cenário de fragmentação, a disputa nos municípios em 2020 favoreceu a eleição de vereadores de partidos que lançaram candidatos a prefeito — e mais ainda nas cidades onde as siglas venceram o cargo majoritário. Por outro lado, caiu 30% em relação a 2016 o número de vereadores eleitos por partidos que não lançaram candidato a prefeito naquela cidade.

O quadro é consequência da proibição de coligação nas eleições proporcionais e sinaliza que os partidos devem dar preferência a candidaturas majoritárias próprias para dar suporte aos nomes para o Legislativo nos próximos pleitos, o que pode ampliar a pulverização das disputas em 2022.

As próximas eleições terão também novas exigências da cláusula de barreira. O dispositivo limita o acesso à verba partidária àqueles que obtiverem votação nacional expressiva, ou elegerem ao menos 11 deputados em nove estados.

Um levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral aponta que três em cada dez vereadores eleitos em 2020 concorreram em cidades onde seu partido também elegeu o prefeito em primeiro turno. O número de vereadores que se elegeram junto à chapa majoritária, 17,3 mil, é 45% superior ao de 2016. Já o número de vereadores eleitos em cidades onde seu partido não lançou candidato a prefeito teve queda de 30%: de 35,1 mil passou para 24,1 mil em 2020.

Com o fim da coligação nas eleições proporcionais, os partidos lançaram mais candidatos a prefeito em estados considerados estratégicos para ampliar suas bases municipais. O número de chapas a prefeituras subiu 16% em comparação a 2016, mais do que o aumento de candidatos a vereador, que foi de 11%.

— A tônica para 2022 será cada partido lançando seu nome. Em certo sentido, a fragmentação do centro e da esquerda é ruim para o Bolsonaro, que vive de antagonismos, diz o cientista político Paulo Gracino, da Universidade Candido Mendes.

Lideranças do PSD, como o senador Otto Alencar (BA), passaram a defender publicamente uma candidatura própria à Presidência após os resultados de domingo, que colocaram o partido no comando de 636 prefeituras.

— Não vejo por que o PSD não teria um nome a nível nacional. Em 2022, o eleitor não vai querer quem nunca administrou nada, disse Alencar.

As tratativas dos partidos, ainda embrionárias, também projetam eventuais apoios a candidatos de diferentes campos políticos, como o apresentador Luciano Huck, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) ou até o presidente Jair Bolsonaro. Huck, que já teve conversas com líderes de siglas como MDB e DEM, vem construindo consenso por evitar um confronto direto com Bolsonaro. Para lideranças do centro, a eleição de 2022 será menos pautada pela polarização.

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