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O PROCESSO DE EDUCAÇÃO E ENSINO NA IDADE MODERNA. EPISÓDIO DE HOJE: O Renascimento e sua influência no processo educativo e de ensino (Parte 2).

Direto de Brasília-DF.

Um provérbio norte americano diz que a escrita é mais forte que a espada. Sem duvida a história do mundo está traçada pela espada de generais e grandes guerreiros, mas a influência marcante de alguns escritores e professores na transição de períodos sombrios para saltos humanísticos e evolucionistas jamais poderá ser negada.

Dante Alighieri, que viveu entre 1265 e 1321, por exemplo, é um desses escritores a quem a história será sempre devedora. Foi ele que ainda no século XIV iniciou a reforma do processo educativo italiano que haveria de dar uma grande contribuição ao Renascimento do humanismo. Por óbvio seu reconhecimento foi maior em morte que em vida. Isto acontece com algumas pessoas, mas o que conta é lembrar que seu trabalho influenciaria séculos após sua morte.

Como o processo educação vinha sendo sistematicamente destruído pela redução da capacidade de o povo ler e entender o idioma grego e o latim e pela consequente incapacidade de escrever bem, Dante resolveu, sem desmerecer os clássicos, escrever sua obra em Italiano, idioma que estava ao alcance do povo em geral.

Com sua obra “Divina Comédia”, Dante coloca para os leitores o idioma italiano em pé de igualdade com o latim e com a obra “A Monarquia” ele eleva o ser humano a uma categoria situada os animais e os anjos. Diz que a realização da vocação humana está ligada diretamente a sua capacidade de raciocinar, de tomar suas próprias decisões e encontrar a felicidade, através da razão aplicada ao processo de educação e do ensino.

Dante e um contemporâneo seu chamado Petrarca entendiam que a origem do humanismo enquanto corrente intelectual estava no passado clássico greco-romano. Acreditavam, por exemplo, que o estudo da Filosofia é que levaria a humanidade a compreender sua essência e civilidade.

À Dante Alighieri sucedeu Petrarca (1304-1374). Para Petrarca os estudos clássicos gregos e romanos eram fundamentais para a preservação e desenvolvimento do “homem bom”, tido como aquele moralmente disciplinado. Este “homem bom” foi uma inspiração que veio à Petrarca à partir da leitura das obras de Cicero, o orador romano, que ele descobriu após ser nomeado secretario do Cardeal Giacomo Colona, em 1330. Este cargo irá permitir a Petrarca livre acesso a bibliotecas públicas e privadas. Foi nos livros que Petrarca descobriu seu amor pela História. A esta disciplina passou a creditar o poder de transformação do futuro.

Certo dia Petrarca estava folheando livros pela biblioteca da Catedral de Verona, Itália, e ao acaso encontra uma obra de Cícero chamada “Cartas à Ático”. Esta obra vai inspirar o espírito público do republicanismo. Quem não sabe que Cícero amava a república? Que sonhava com um humanismo atuante, progressivo e evolucionista que transformasse o ser humano de simples homens em “homens bons”, ou seja, seres humanos éticos e moralmente mais dedicados à cultivar valores positivos?

Petrarca tornou-se um devorador de livros. Foi assim que pelas bibliotecas italianas descobriu e ressuscitou obras de Plínio, Santo Agostinho, Sêneca, Xenofonte, Platão, Ênio, Terêncio, Catão, Lactâncio e Suetônio. Se hoje elas estão ao nosso alcance, saibam que a ele devemos esse esforço e daí por diante passa a apregoar que as obras clássicas direcionavam o homem a relacionar-se bem com Deus e com seu próximo. Este, certamente, era um modo de não incomodar muito o clero e ao mesmo tempo de ressuscitar um processo educativo capaz de ensinar outra vez aos homens, a ler, escrever e desenvolver mentalidade crítica.

A Renascença, portanto, será fundamentada nesse ideal de um homem de altos ideais humanos, éticos e morais. O cerne desta ideia é antropocêntrica, ou seja, o homem está no centro de seu universo e com ele deve relacionar-se racionalmente.

Ler, escrever, interpretar os fatos históricos e contemporâneos como forma de prever o futuro de forma mais racional que mística, foi o desejo dos clássicos gregos e romanos. Associado a este desejo esteve sempre vinculada a capacidade de desenvolver mentalidade crítica, para não se deixar levar por sofismas, enganos e mentiras políticas e religiosas. A Renascença quer resgatar esse pensamento humanista e contribuir para fazer a humanidade seguir adiante…

O próximo artigo será publicado no sábado, dia 29.

Bom feriado de carnaval!

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