Inscrições abertas para vivência “Dramaturgia dos Orixás”

Pesquisadores cênicos e artistas ganham oportunidade poderão vivenciar os princípios da pesquisa “Dramaturgia dos Orixás”, através de programação on-line e gratuita que acontece nos dias 20, 21 e 22 de janeiro

Lana Lancet/Divulgação

Lana Lancet/Divulgação

A proposta é de uma imersão de três dias nos princípios que compõem a pesquisa de Agrinez Melo, pautada na cultura afrobrasileira e nas religiões de matriz africana

A atriz, diretora e pesquisadora de teatro Agrinez Melo segue aprofundando sua pesquisa “Dramaturgia dos Orixás: possibilidades de novas narrativas para um corpo negro em cena”. Após realizar cursos da metodologia em modalidade presencial e on-line, a multiartista realiza uma nova demonstração de pesquisa com uma vivência inédita, que ocorre nos dias 20, 21 e 22 de janeiro, através das plataformas YouTube e Google Meet.

A proposta é de uma imersão de três dias nos princípios que compõem a pesquisa de Agrinez, pautada na cultura afrobrasileira e nas religiões de matriz africana. A demonstração, incentivada pela Lei Aldir Blanc em Pernambuco, dispõe de 15 vagas para artistas, pesquisadores cênicos e público em geral interessado em conhecer e vivenciar a técnica de forma gratuita e virtual. Será conferido certificado aos participantes.

No primeiro dia, haverá um documentário exclusivo sobre a pesquisa, feito especialmente para a vivência, além de bate-papo em tempo real com a atriz. O encontro acontece no canal “I Pele Ti O Dun” no YouTube e contará com serviços de audiodescrição e intérprete de libras. A programação abordará trabalhos realizados por Agrinez, como o solo “Histórias Bordadas em Mim”, que estreou em 2016; e o “Aldeias”, fruto do curso Dramaturgia dos Orixás realizado em 2019. O público poderá entender como a técnica foi utilizada nos referidos espetáculos.

Nos dois dias seguintes, no Google Meet, os participantes trabalharão sob orientação da pesquisadora, utilizando as técnicas em cima de textos e letras de música para experimentar o conceito para além da teoria. “Será uma experiência nova, na qual traremos o texto na frente do corpo. Uma nova modalidade de demonstração de como é possível criar possibilidades e obras cênicas a partir da Dramaturgia dos Orixás”, comenta ela.

A proposta é conferir aos pesquisadores novos horizontes para a criação cênica. O imaginário de orixás como Xangô, Ogum, Iemanjá e Iansã; e de figuras como Pretos Velhos, Pombagiras e Caboclos, se transforma em combustível para abastecer o corpo e as criações cênicas. A pesquisa, portanto, não só abre espaço para marginalizadas expressões religiosas, como Candomblé, Umbanda e Jurema, como as valida enquanto rico arcabouço para dispositivos cênicos.

Assim, a vivência abre portas e dá visibilidade a corpos negros em cena, ou mesmo corpos não-negros orientados pelos arquétipos de divindades do panteão afrobrasileiro. “A vivência discute, sim, a existência do corpo negro na cena e sua ancestralidade, mas é aberto a qualquer pessoa que queira pesquisar em cima desse universo. A intenção é que mais pessoas possam aprender a criar cenas a partir da cultura negra”, enfatiza Agrinez.

O DESAFIO DO ONLINE – Ser mãe, mesclar a vida cotidiana com a profissional e fazer teatro em casa. A vida de Agrinez Melo como artista, mulher, mãe e empreendedora se transformou durante o isolamento social. A sala de casa, além de ambiente doméstico, virou palco para espetáculos virtuais, formações e lives. “O desafio agora é manter o olho no olho, a atenção na respiração do outro, e principalmente a escuta, elementos que são fundamentais nas construções para teatro”, revela ela.

Em 2019, Agrinez realizou bem sucedidas edições de cursos de Dramaturgia dos Orixás, mas, em 2020, devido à pandemia, se viu obrigada a adaptar a metodologia para o online. Após algumas oficinas de curta duração, surgiu, entre outubro e novembro, a oportunidade de uma turma semipresencial. Seguindo as regras de distanciamento social, a atriz coordena um grupo de atores-pesquisadores na construção do espetáculo “Um dia volto para casa… um dia hei de voltar”, ainda em desenvolvimento.

Para além disso, a pesquisa segue sendo aprofundada. Entidades como Zé Pilintra, e novos orixás como Oxumaré, vêm sendo levados às práticas cênicas, tornando a experiência virtual bastante real. “Eu acredito que o ser humano não vive sem arte, ela está dentro dele. Mesmo online, há experiências muito bonitas e emocionantes, nas quais a cura está atrelada à criação artista”, avalia Agrinez.

SOBRE AGRINEZ MELO – Mulher negra, mãe, atriz, modelo, figurinista, diretora teatral, pesquisadora da antropologia do imaginário e do teatro antropológico, Agrinez Melo é uma multiartista. Formada em Teatro pela Universidade Federal de Pernambuco (2004), desenvolve trabalhos importantes no Estado de Pernambuco, e em outros estados, que vai desde formação teatral, atuação, pesquisa do corpo para cena, dramaturgia a partir do corpo e movimentos energéticos ancestrais dos Orixás, a eventos de moda. É integrante do grupo O Poste Soluções Luminosas desde 2006 e empreendedora em produção cultural na Doce Agri, focada em acessibilidade no teatro e nas atividades de formação em áreas como figurino, maquiagem e iluminação. Desenvolve cursos online e presenciais focados na dramaturgia ancestral, fincada nas matrizes africanas. Também faz parte da rede de Mulheres Afrocentradas e gerencia o canal “I Pele Ti O Dun” no YouTube, com conteúdo afrocentrado. Já recebeu prêmios como atriz em 2011 e 2014, com os espetáculos “Cordel do Amor Sem Fim” e “ “Anjo Negro”. Foi indicada a Melhor Figurino com os espetáculos “Ombela” e “Histórias Bordadas em Mim”, entre 2015 e 2016.

Serviço


Demonstração de pesquisa “Dramaturgia dos Orixás: possibilidades de novas narrativas para um corpo negro em cena” (com acessibilidade)


20 de janeiro – 19h às 21h, no canal I Pele Ti O Dun, no YouTube


21 e 22 de janeiro – 14h às 16h, via Google Meet


Inscrições gratuitas: até 20 de janeiro (quarta-feira), pelo e-mail agrinez@gmail.com


15 vagas disponíveis. Haverá certificado aos participantes.

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