Delegada Patrícia Domingos: “Ofereceram 5 mil reais pela minha cabeça”. Conheça a Delegada que está tirando o sono dos corruptos do alto escalão Pernambucano

Em palestra realizada no bairro de Piedade em Jaboatão dos Guararapes, a Delegada Patrícia Domingos atraiu atenção de diversas pessoas com palestra focada no combate à corrupção. Patrícia contou um pouco da sua história como delegada a frente da extinta Decasp , delegacia especializada em combate ao crime contra à administração pública que foi alvo de grande mobilização social contra o seu fechamento quando o Governador Paulo Câmara mandou projeto de lei em caráter de emergência para fechar a delegacia exatamente no momento que a Decasp investigava a empresa Casa de Farinha envolvida em escândalos de corrupção no fornecimento de merenda escolar em Pernambuco.

“Assim que prendemos pessoas na Cabo de Santo Agostinho ligadas diretamente a empresa Casa de Farinha , 7 dias depois foi colocado em votação o projeto de lei para fechamento da delegacia e criação de uma nova, em caráter de urgência sem ao menos ter local para funcionamento da outra “nova” Delegacia que estava sendo proposta para criação. Com 20 dias a Decasp foi extinta”

Patricia chegou a demonstrar como a população poderia ajudar denunciando os casos de corrupção através da internet se mantendo no anonimato. Sites como o do Ministro Público, Tribunal de Contas e Polícia Federal foram alguns exemplos. A delegada também chegou também a dizer que tem costume de entrar em sites para fiscalizar as receitas públicas e disse encontrar diversos absurdos nos valores das compras corporativas do governo.

Em certo momento a delegada chegou a afirmar que descobriu que existiam pessoas oferencendo 5 mil reais pela sua vida. No cenário político da cidade do Recife, ventilasse o nome de Patrícia para ser candidata à Prefeita da Cidade. Seria um nome novo , com muita credibilidade e que se souber escolher um time forte poderá chegar longe.

Se Patrícia entrar na política , seja para Prefeita ou seja para Vereadora será uma grande curiosidade ver ela dentro do “ninho de cobras” e pela sua postura incisiva no combate à corrupção a Delegada poderá gastar todo seu salário comprando algemas , porque o que ela mais vai ver são cargos fantasmas e rachadinhas no meio político.

Saiba mais sobre o tema : Corrupção sistêmica

O descrédito da política tradicional está no centro do debate eleitoral deste ano e a corrupção, segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é o tema que mais angustia os brasileiros. A insatisfação dos brasileiros no atual contexto se reflete numa falta de confiança generalizada nos políticos (78%) e nos partidos (78%). É justamente nesse arranjo em que incide a corrupção sistêmica.

A lógica do nosso jogo democrático, na visão de especialistas, é um fator determinante para a prática da corrupção. O “presidencialismo de coalizão”, a “governabilidade” e o “financiamento das campanhas” (via caixa dois) provocam desvio éticos que produzem os escândalos de corrupção. É sobre esses elementos que a Lava Jato – maior instrumento de combate a corrupção nos últimos anos – tem se debruçado.

O procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol afirmou, certa vez, que o ex-presidente Lula (PT) teve que negociar com partidos para garantir maioria no Congresso, o que não tinha em 2003. E, para garantir a boa relação com o Legislativo, o petista teria baseado sua gestão na “propinocracia”, cujo resultado era uma “governabilidade corrompida”. 

A investigação conduzida pela Operação Lava Jato, hoje, espera devolver aos cofres públicos de R$ 12 bilhões, mas a cifra astronômica não é obra de um único partido e, sim, um sistema enraizado desde a redemocratização e alargada pelo justamente multipartidarismo. Esse ponto é o pico de uma cultura, na alta esfera, de uma série de escândalos políticos. “A indicação de altos cargos na administração pública por legisladores, em troca de apoio político ao governo, é uma prática que tem contribuído para forjar alianças de governo”, analisa o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Bruno Wilhelm Speck, no artigo ‘O financiamento político e a corrupção no Brasil’. 

Um estudo feito por estudantes da USP apontou 404 nomes – entre políticos, empresários, funcionários públicos, doleiros e laranjas -, de pessoas envolvidas em 65 escândalos de corrupção entre 1987 e 2014. A pesquisa revela que, a cada quatro anos, as redes de corrupção se transformam, com aumento significativo de envolvidos.

A má colocação no Índice de Percepção de Corrupção (IPC) indica que o Brasil, na 96ª colocação, não foi capaz de fazer avançar medidas para atacar de maneira sistêmica esse problema. “É fato que as grandes operações de investigação e repressão trouxeram avanços importantes, como a redução da expectativa de impunidade e o estabelecimento de um novo padrão de eficiência para estas ações”, disse Bruno Brandão, representante da Transparência Internacional no Brasil. No entanto, é preciso outras iniciativas. Entre as soluções propostas pela organização, estão a participação popular na criação das leis, uma política nacional de dados abertos e o endurecimento das penas referentes aos crimes debaixo do guarda-chuva da “corrupção”, como fraude, nepotismo e outros.

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