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Atuação dos agentes de segurança pública no Carnaval mobiliza discursos

Titular do mandato coletivo {dep: 364655(Juntas)} (PSOL), a deputada Jô Cavalcanti pediu, na Reunião Plenária desta segunda (2), esclarecimentos à Polícia Militar sobre atos de censura durante o Carnaval. Ela chamou atenção, principalmente, para casos de policiais que ameaçaram encerrar shows de bandas que tocavam músicas do compositor Chico Science. A atuação da corporação também foi tema de pronunciamento do deputado {dep: 14831(Joel da Harpa)} (PP), que elogiou os profissionais da segurança pública pela redução nos casos de homicídios, roubos e furtos. 

EXCESSOS – Juntas questionou atos de censura da Polícia Militar durante o período. Foto: Roberto Soares

A psolista destacou que, na segunda de Carnaval (24), a polícia fez uma barreira entre o palco e a plateia em show do grupo Janete Saiu Para Beber, no bairro do Recife, quando foi tocada “Banditismo por uma questão de classe”, de Science. Na ocasião, o vocalista teria sido ameaçado de prisão. No dia seguinte, ao executar a mesma música no polo da Várzea, a banda Devotos foi advertida de que poderia ter o show interrompido. 

Jô Cavalcanti também expôs que a polícia subiu no palco durante a apresentação do cantor e compositor China, na Lagoa do Araçá, também na segunda (24), ordenando que acabasse o show devido ao horário. Relatou, ainda, a tensão no desfile do bloco Vaca Profana, em Olinda, em que mulheres desfilam mostrando os seios em protesto contra o machismo e o patriarcado. E denunciou a agressão de policiais militares contra o músico Artur Delmiro quando tocava pandeiro na quarta-feira de cinzas na Praça do Carmo, em Olinda.

“Vimos várias situações no Recife e em Olinda, além de relatos em redes sociais sobre casos de censura, repressão e abuso de autoridade. Quem deu a ordem para proibir música de Chico Science no Carnaval? Desde quando a Polícia tem essa atribuição? Em que lei está escrito que mulheres não podem mostrar seios durante os blocos de carnaval? O que justifica a abordagem violenta como a que sofreu o Artur nas mãos da polícia?”, questionou. 

A deputada disse que buscará dialogar com a corregedoria da Polícia Militar para apurar as situações e acompanhar a adoção de medidas cabíveis. “Práticas de censura são expressamente proibidas pela Constituição brasileira. Esperamos que o governador Paulo Câmara também tome providências, emendou. Ao tratar de outro tema no pronunciamento, a deputada lamentou a morte da militante LGBT Josenita Duda Ciríaco, aos 63 anos: “Todos estamos tristes com essa perda. Jô de Camaragibe sempre foi uma referência na luta contra o machismo e a LGBTfobia”, expressou. 

NÚMEROS – Joel da Harpa elogiou trabalho de policiais e queda nos índices de violência. Foto: Roberto Soares

Ao discursar no Grande Expediente, Joel da Harpa registrou que o Carnaval de 2020 teve o menor índice de crimes violentos letais intencionais para o período desde 2004. Foram 34 homicídios, contra 62 em 2019. O deputado do PP também assinalou que, dos últimos 7 anos, esse foi o Carnaval com menos roubos. “Policiais e bombeiros atuaram com muito profissionalismo e dedicação e baixaram de forma gigantesca os índices de criminalidade. Vimos a Polícia na rua tranquilizando a população, defendendo a sociedade nos polos e nos bairros e garantindo a segurança dos foliões”, disse. 

Na avaliação do parlamentar, os excessos cometidos são “irrisórios” quando comparados ao contingente de policiais que atuou durante a festa. Ele defendeu que o bom trabalho dos agentes de segurança pública, em vez de críticas, seja colocado em primeiro plano. “Associo-me ao discurso e parabenizo todos os policiais, militares e civis, e a Secretaria de Defesa Social. Não só os números foram reduzidos, mas a sensação de segurança ficou bastante marcada”, endossou o deputado {dep: 364559(Fabrizio Ferraz)} (PHS). 

Em outro pronunciamento, {dep: 364606(João Paulo)} (PCdoB) atribuiu casos de agressões de policiais a foliões em Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) ao clima de anormalidade vivido pelo País. Ele considerou os fatos ocorridos em Pernambuco como “casos isolados de abusos”. “Ninguém aqui questionou o papel da Polícia Militar e sua importância em garantir um bom Carnaval. Mas poderia ter sido ainda melhor se não houvesse excessos”, agregou, em aparte no discurso de Joel  da Harpa.

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