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Anvisa alerta que a Ivermectina não tem eficácia contra a Covid-19 e pode causar sérios riscos à saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou, nesta quinta-feira (09), sobre os riscos do uso de medicamentos que contêm Ivermectina para o tratamento da Covid-19. Segundo o órgão, não há nenhuma comprovação científica de que a Ivermectina seja eficaz contra o novo coronavírus.

A Anvisa ressalta, porém, que há comprovações de sobra sobre os efeitos colaterais e os riscos à saúde decorrentes do uso do medicamento sem prescrição médica. “No caso da Ivermectina, os principais problemas (eventos adversos) são: diarreia e náusea, astenia, dor abdominal, anorexia, constipação e vômitos; em relação ao sistema nervoso central, podem ocorrer tontura, sonolência, vertigem e tremor. As reações epidérmicas incluem prurido, erupções e urticária”, frisa, em nota. 

A agência é enfática quando ao uso indiscriminado da Ivermectina: “Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde. O uso de medicamentos sem orientação médica e sem provas de que realmente estão indicados para determinada doença traz uma série de riscos à saúde”. 

Para a Anvisa, é preciso deixar claro que não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19. “Assim, não há recomendação, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, frisa. 

No entender do órgão de fiscalização sanitária, é importante ressaltar que, até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da covid-19 no Brasil. “Os medicamentos atualmente aprovados são utilizados para tratamento dos principais sintomas da doença, como antitérmicos e analgésicos. Para casos em que há infecções associadas, recomenda-se usar agentes antimicrobianos (antibióticos)”, esclarece. 

Ivermectina é antiparasitário 

A Anvisa ressalta que a Ivermectina é um agente antiparasitário aprovado em 1999, que, nos últimos anos, demonstrou ter atividade antiviral in vitro contra uma ampla gama de vírus. Lembra que, até o momento, existem 26 estudos clínicos propostos para avaliar a eficácia desse produto, tanto com propostas de atuação na prevenção quanto no tratamento da Covid-19. 

“Mas não existem, ainda, resultados conclusivos sobre a eficácia da Ivermectina no combate à covid-19. Também não existem dados que indiquem qual seria a dose, posologia ou duração de uso adequada para impedir a contaminação ou reduzir a chance de gravidade da doença”. Mais: os resultados encontrados in vitro não podem ser tomados como verdadeiros in vivo. 

No Brasil, ressalta a Anvisa, apenas um estudo foi localizado, realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com previsão para conclusão em julho de 2021. “Trata-se de um estudo acadêmico, que não passou pelo procedimento de anuência da agência”, informa. 

Segundo a Anvisa, em regra, para que novas indicações terapêuticas sejam incluídas nas bulas dos medicamentos, é necessária a demonstração de segurança e eficácia por meio de estudos clínicos com número representativo de participantes. “No caso da Ivermectina, contudo, os estudos disponíveis acerca da sua eficácia no tratamento da Covid-19 ainda não são conclusivos.” 

A Ivermectina é indicada para o tratamento de várias condições causadas por vermes ou parasitas.

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